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Sou batizado na Igreja Católica de Rito Romano, mas
costumo freqüentar Igrejas Católicas de Rito Oriental (maronita, melquita,
armênia, russa, etc.), Igrejas Ortodoxas de Tradição Bizantina (antioquina,
grega e outras), bem como igrejas não-calcedonianas (armênia, siríaca).
Considerando-me um greco-ortodoxo de coração, observo uma proximidade
prática muito grande entre elas, sobretudo em costumes e culto. Se há
divergências, são fundamentalmente no campo teológico (da fé) e, muito mais
ainda, no plano eclesiológico, como a questão da necessária concordância de
fé entre os cinco patriarcados de Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia
e Jerusalém (Pentarquia), a qual nem sempre se operou na prática, desde os
mais antigos concílios ecumênicos. Os primeiros rachas nasceram em meados
do século V dentro dos patriarcados de Antioquia e Alexandria (nestorianos e
"monofisitas". Este último grupo entre aspas porque questionável nos dias de
hoje essa terminologia). Já mais tarde, no século XI, a solução de uma
comunhão de fé e de vida prática entre os patriarcados do Oriente e a Sé
Apostólica de Roma, Sede de São Pedro (a "primus-inter-pares", na correta
visão da ortodoxia), levou à dramática ruptura da Ortodoxia Cristã Central emdois grupos - os dois pulmões da Grande Igreja, Una e Indivisa: Católicos
Romanos - de Cultura Latina e Católicos Bizantinos - de Cultura Grega, não
obstante todos os esforços posteriores de lado a lado para o restabelecimento
da plena comunhão, iniciativas tanto do Oriente como - principalmente - do
Ocidente (casos dos nefastos e trágicos concílios medievais lionino e
florentino). Hodiernamente, católicos, ortodoxos e antigos ortodoxos (não
calcedonianos), através de suas lideranças hierárquicas, aproximam-se
novamente, buscando união em tudo aquilo que já possuem em comum (que
não é pouco) e diálogo naquilo que os separam, mormente no que tange à
correta interpretação do primado da Santa Sé Romana sobre o orbe e a função
do bispo de Roma na Pentarquia (que hoje possui muito mais do que os cinco
patriarcas originais, além de todos aqueles à frente de igrejas autocéfalas
ortodoxas). Na minha laica opinião, a simples retirada da excomunhão
recíproca entre Roma e Constantinopla no século XI restabeleceu a Una,
Santa, Católica e Apostólica Igreja. Tal se deu em 1965, na assinatura de um
decreto comum do Papa de Roma (Paulo VI) e do Patriarca de Constantinopla
(Atenágoras). No entanto, de lá para cá as históricas divergências
eclesiológicas, doutrinárias e até mesmo de costumes (neste último caso
legítimas na maior parte dos casos) permanecem, e o CISMA entre gregos,
latinos e outros grupos menores ainda persiste, lastimavelmente. Há, pois,
intransigência de todos os lados. Oro a Nosso Senhor Jesus Cristo e ao Espírito
Santo de Deus diuturnamente para que se operem caminhos de união entre
todos os grupos citados rumo à "única mansão, firmada sobre a pedra angular,
Cristo Jesus, que fará de todas uma só" (Decreto Unitatis Redintegratio -
Concílio Vaticano II), sem que tal processo configure incorporação, fusão ou
submissão de umas às outras, mas sim dentro de uma perspectiva associativa,
em que os patriarcas, liderados em última instância pelo Romano Pontífice e
também pelo Ecumênico Constantinopolitano, possam estar a serviço do bem
e da unidade de toda a igreja, de Leste a Oeste, de Oriente a Ocidente, pelos
cinco Continentes. Seria, para mim, muito frustrante deixar este mundo sem
alcançar esse formidável dia de reconciliação geral e de perfeita "comunicatio
in sacris" (intercomunhão ou comunicação nas coisas sagradas). Diz a última
versão do catecismo romano, em seu Artigo 838 (p. 241) - "Com as igrejas
ortodoxas, a comunhão (conquanto ainda não perfeita e completa) é tão
profunda 'que falta bem pouco para que ela atinja a plenitude que autoriza
uma celebração comum da Eucaristia do Senhor'". Oxalá Deus apresse logo a
chegada deste dia, o qual depende muito mais dos hierarcas que dos fiéis de
todas estas igrejas. Deus abençoe e ilumine nossos bispos e líderes cristãos!
Hristós Anésti! Cristo ressuscitou dos mortos, pela morte venceu a morte e
deu a vida aos que estavam nos túmulos. Aleluia! Que Maria Theotokos, nossa
querida Mãe comum, nos encaminhe ao entendimento e à plena comunhão
eclesial. César Henrique Martins - Campinas (SP).


