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César Henrique Martins César Henrique Martins escreveu em 17 de abril de 2005 at 01:46
Sou batizado na Igreja Católica de Rito Romano, mas costumo freqüentar Igrejas Católicas de Rito Oriental (maronita, melquita, armênia, russa, etc.), Igrejas Ortodoxas de Tradição Bizantina (antioquina, grega e outras), bem como igrejas não-calcedonianas (armênia, siríaca). Considerando-me um greco-ortodoxo de coração, observo uma proximidade prática muito grande entre elas, sobretudo em costumes e culto. Se há divergências, são fundamentalmente no campo teológico (da fé) e, muito mais ainda, no plano eclesiológico, como a questão da necessária concordância de fé entre os cinco patriarcados de Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém (Pentarquia), a qual nem sempre se operou na prática, desde os mais antigos concílios ecumênicos. Os primeiros rachas nasceram em meados do século V dentro dos patriarcados de Antioquia e Alexandria (nestorianos e "monofisitas". Este último grupo entre aspas porque questionável nos dias de hoje essa terminologia). Já mais tarde, no século XI, a solução de uma comunhão de fé e de vida prática entre os patriarcados do Oriente e a Sé Apostólica de Roma, Sede de São Pedro (a "primus-inter-pares", na correta visão da ortodoxia), levou à dramática ruptura da Ortodoxia Cristã Central emdois grupos - os dois pulmões da Grande Igreja, Una e Indivisa: Católicos Romanos - de Cultura Latina e Católicos Bizantinos - de Cultura Grega, não obstante todos os esforços posteriores de lado a lado para o restabelecimento da plena comunhão, iniciativas tanto do Oriente como - principalmente - do Ocidente (casos dos nefastos e trágicos concílios medievais lionino e florentino). Hodiernamente, católicos, ortodoxos e antigos ortodoxos (não calcedonianos), através de suas lideranças hierárquicas, aproximam-se novamente, buscando união em tudo aquilo que já possuem em comum (que não é pouco) e diálogo naquilo que os separam, mormente no que tange à correta interpretação do primado da Santa Sé Romana sobre o orbe e a função do bispo de Roma na Pentarquia (que hoje possui muito mais do que os cinco patriarcas originais, além de todos aqueles à frente de igrejas autocéfalas ortodoxas). Na minha laica opinião, a simples retirada da excomunhão recíproca entre Roma e Constantinopla no século XI restabeleceu a Una, Santa, Católica e Apostólica Igreja. Tal se deu em 1965, na assinatura de um decreto comum do Papa de Roma (Paulo VI) e do Patriarca de Constantinopla (Atenágoras). No entanto, de lá para cá as históricas divergências eclesiológicas, doutrinárias e até mesmo de costumes (neste último caso legítimas na maior parte dos casos) permanecem, e o CISMA entre gregos, latinos e outros grupos menores ainda persiste, lastimavelmente. Há, pois, intransigência de todos os lados. Oro a Nosso Senhor Jesus Cristo e ao Espírito Santo de Deus diuturnamente para que se operem caminhos de união entre todos os grupos citados rumo à "única mansão, firmada sobre a pedra angular, Cristo Jesus, que fará de todas uma só" (Decreto Unitatis Redintegratio - Concílio Vaticano II), sem que tal processo configure incorporação, fusão ou submissão de umas às outras, mas sim dentro de uma perspectiva associativa, em que os patriarcas, liderados em última instância pelo Romano Pontífice e também pelo Ecumênico Constantinopolitano, possam estar a serviço do bem e da unidade de toda a igreja, de Leste a Oeste, de Oriente a Ocidente, pelos cinco Continentes. Seria, para mim, muito frustrante deixar este mundo sem alcançar esse formidável dia de reconciliação geral e de perfeita "comunicatio in sacris" (intercomunhão ou comunicação nas coisas sagradas). Diz a última versão do catecismo romano, em seu Artigo 838 (p. 241) - "Com as igrejas ortodoxas, a comunhão (conquanto ainda não perfeita e completa) é tão profunda 'que falta bem pouco para que ela atinja a plenitude que autoriza uma celebração comum da Eucaristia do Senhor'". Oxalá Deus apresse logo a chegada deste dia, o qual depende muito mais dos hierarcas que dos fiéis de todas estas igrejas. Deus abençoe e ilumine nossos bispos e líderes cristãos! Hristós Anésti! Cristo ressuscitou dos mortos, pela morte venceu a morte e deu a vida aos que estavam nos túmulos. Aleluia! Que Maria Theotokos, nossa querida Mãe comum, nos encaminhe ao entendimento e à plena comunhão eclesial. César Henrique Martins - Campinas (SP).
Aguarde, por favor...