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Estes dois ícones prototípicos, dão testemunho da encarnação do Filho de Deus na pessoa de Jesus Cristo e também a deificação da humanidade na pessoa da Mãe de Deus.
Teologicamente, o ícone como tal se fundamenta, em primeiro lugar, na Encarnação do Filho de Deus. O Deus invisível se fez visível e habitou entre nós. Nas palavras dos Santos Padres: «Deus se fez homem para que o homem se faça Deus.»
A Igreja anuncia, mediante a sua arte iconográfica, a verdade eterna e divina de que Deus se fez homem e habitou entre nós para a nossa salvação.
Em uma linguagem que equivale a pregação evangélica, o ícone é portador da graça e também de confissão de fé. Tal como a palavra escrita pode revelar Deus, assim também a palavra plasmada em linhas e cores o pode fazer. São Basílio Magno, do século IV, disse que «o que a palavra comunica pelo som, o faz o ícone em silêncio.»
O ícone também dá testemunho do fruto da Encarnação que é a deificação do ser humano, a experiência dos santos. Estas duas idéias se encontram, inclusive, na oração do rito de bênção de um ícone.
«Senhor Deus,
Tu criaste o homem à tua imagem,
mas a queda a manchou,
mas, pela Encarnação de teu Cristo feito homem,
Tu a restauraste
e assim restabeleceste a teus santos
a sua primeira dignidade.
Venerando-os, veneramos a tua Imagem e Semelhança
e, através deles
Te glorificamos como seu Arquétipo».
A Igreja afirma dogmaticamente a verdade do ícone em função da Encarnação; o ícone, por sua vez, é condicionado pela criação do ser humano à imagem e semelhança de Deus.
O ícone não busca fazer uma representação física da pessoa representada nele. Não é um retrato, mas quer mostrar a vida transfigurada da pessoa, sua vida como chegou a ser iluminada por Deus, com a luz do Tabor, a luz da Transfiguração de Cristo.
É importante recordar que a veneração que se dá ao ícone está dirigida ao protótipo representado nele . São João Damasceno disse:
«Não adoro a matéria , adoro o Criador da matéria,
Aquele
que se fez matéria por minha causa,
que quis ter sua morada na matéria
e que através da matéria propiciou minha salvação».
O ícone, linguagem artística da Igreja, participa na vocação do ser humano: santificar e transfigurar o mundo e transformar tudo em um meio de comunhão eterna com Deus e seu Criador.
O seguinte hino tomado da liturgia do Domingo da Ortodoxia, expressa eloqüentemente o significado do ícone:
«O Verbo incomensurável do Pai se fez limitado
quando se encarnou em ti, ó Mãe de Deus
e restituiu à imagem maculada a sua antiga formosura,
restaurando-lhe a beleza divina.
Por isso confessamos a salvação
e a anunciamos em palavra e ação.
Torna-me digno de ser colocado à tua direita!».
Fonte:
www.iglesiaortodoxa.clTradução do espanhol por: Pe. Paulo Augusto Tamanini
