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A Liturgia Ortodoxa(Impressões de um «ocidental primitivo») Abbé Henri Stéphane (Escrito depois de uma visita a uma Igreja Ortodoxa) Tradução: Pe. André (João Manoel) Sperandio
A luz da Transfiguração, anunciada pelo Prólogo de São João, aparece através da cúpula iluminada pelo Sol, ao qual respondem os inumeráveis círios que os fiéis vem depositar aos pés dos Ícones, diante dos quais fazem respeitosas reverências (metânias). Os fiéis não participam ativamente na Liturgia. Depois da proclamação do Evangelho e do canto das Litânias, fecham-se as portas do Iconostásio e, por detrás delas, vão ser celebrados os santos Mistérios subtraídos assim do olhar da multidão. O povo, passivo, receptivo, é tomado interiormente pelo ambiente do que temos sublinhado o caráter celeste ou apocalíptico. Porém, se a função dos Ícones é a de atualizar o olhar interior, dirigido para as realidades escatológicas, é necessário agora mencionar o papel do canto: tímido e reservado no início, alcança na sua continuação uma amplitude extraordinária, como, por exemplo, na proclamação do Santo Evangelho. O coro de crianças, evidentemente invisível: são os Anjos que cantam. As melodias sobre duas notas são as mais freqüentes, porém, a polifonia não se exclui; o alargamento das notas finais dá ao conjunto o «sentido da eternidade» e a certeza da imortalidade.
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