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Mensagem de S. S.
BARTOLOMEU I,
«Dia de Oração pela Proteção da Criação - 2016»Prot. Nº 0887 † BARTOLOMEU A TODO O PLEROMA DA IGREJA GRAÇA, PAZ E MISERICÓRDIA Irmãos e irmãs, filhos amados no Senhor, Acompanhando há muitos anos os catastróficos desenvolvimentos mundiais
no campo ambiental, a Santa e Grande Mãe Igreja de Cristo, vigiando, de iniciativa
própria, fixou o início de cada ano eclesiástico como dia dedicado à Criação, ao
ambiente, chamando, durante o mesmo dia, todo o mundo ortodoxo e cristão a fazer
uma oração e uma súplica ao Criador de todas as Coisas e à ação de graças pelo
grande dom da Criação e súplicas pela sua proteção e salvação de todo ataque visível
e invisível dos homens. Assim, portanto, também este ano, durante tal mencionado
dia, por parte do Patriarcado Ecumênico, recordamos a necessidade de sensibilizar O rápido progresso tecnológico atual e as possibilidades e as facilidades que ele oferece ao homem contemporâneo não deve nos desviar de levar em consideração seriamente, antes de cada obra tecnológica, os agravos que ela provoca ao ambiente natural e à sociedade, e, consequentemente, também as consequências desfavoráveis conexas, que podem ser – e estão se revelando como tais – muito perigosas e catastróficas para a criação e a vida dos seres vivos sobre a terra. Tal necessidade, por outro lado, também foi proclamada pelos irmãos
Primazes e pelos Bispos das Santas Igrejas Ortodoxas locais, no último mês de junho,
durante a convocação abençoada, na grande Ilha de Creta, do Santo e Grande
Sínodo, sob a presidência do Patriarca Ecumênico, sublinhando, na sua Encíclica,
que, "através do atual desenvolvimento das ciências e da tecnologia, a nossa vida
está mudando radicalmente. E o que provoca uma mudança na vida do homem exige
discernimento de sua parte, a partir do momento em que, além das notáveis É necessária uma vigilância contínua, formação e ensino, de modo que fique
clara a relação da atual crise ecológica com as paixões humanas da cobiça, da
ganância, do egoísmo, da voracidade ávida, de cujas paixões o resultado e o fruto
são a crise ambiental vivemos. Constitui, portanto, como única via o retorno à beleza
antiga da ordem e da economia, da moderação e da ascese, que podem levar à sábia
gestão do ambiente natural. De modo particular, a ganância com a satisfação das
necessidades materiais leva, com certeza, à pobreza espiritual do homem, que
envolve a destruição do ambiente natural: "As raízes da crise ecológica são
espirituais e éticas, inerentes ao coração de todo homem", ressalta o citado Santo e
Grande Sínodo da Igreja Ortodoxa, dirigindo-se ao mundo atual, "o desejo do
contínuo crescimento do bem-estar e o consumismo desenfreado levam
inevitavelmente à utilização desproporcional e ao esgotamento dos recursos Ao mesmo tempo, celebramos hoje, irmãos e filhos amados no Senhor, a memória do Bem-aventurado Simeão, o Estilita, essa grande coluna da nossa Igreja, cujo monumento, assim como outros maravilhosos sítios arqueológicos na Síria e em todo o mundo, tais como o famoso da antiga Palmira, contados em nível mundial entre os principais monumentos de herança cultural, sofreram a barbárie e os horrores da guerra, evidenciando um igual problema significativo: a crise da cultura, que, durante os últimos anos, é mundial. Por outro lado, Ambiente e Cultura estão unidos e são de igual valor e intercambiáveis. O mundo que abraça a humanidade foi criado por uma única palavra imperativa: "E seja" (cf. Gn 1 3,6,14). A cultura foi criada pelo homem munido de uma mente racional, de modo que também o respeito por ela é óbvio e necessário, porque, naturalmente, o homem é e é honrado como o coroamento da Criação divina. Portanto, devidamente, a partir desse Sacro Centro da Ortodoxia,
enriquecido por uma tradição extraordinária e que conserva os valores de
parâmetros mais amplos da herança cultural, chamamos a atenção de todos os
responsáveis e de cada homem para a necessidade da proteção, paralelamente, do
ambiente natural e da herança cultural mundial, que se encontra em perigo, por
causa das mudanças climáticas, dos conflitos bélicos em todo o mundo e por causa Os tesouros culturais, que, como monumentos religiosos e espirituais, mas também expressão bimilenar da mente humana, pertencem a toda a humanidade e não exclusivamente aos países dentro de cujas fronteiras se encontram, correm os seus perigos em relação ao ambiente, e, além disso, a solicitude pela proteção do ambiente e dos valores inestimáveis da cultura é julgada como obrigatória para o viver bem da humanidade inteira. A ruína e a destruição de um monumento cultural de um país fere a herança universal da humanidade; além disso, é dever e tarefa de cada ser humano, de modo particular de todos os países civilizados, de reforçar as medidas de proteção e de conservação ininterrupta dos seus monumentos. Assim, é indispensável que cada Estado de direito e de legalidade constituído evite ações que afetem a integridade dos seus "monumentos universais" e que alterem os valores intangíveis que cada um deles representa. Consciente da "nossa maior responsabilidade" – proclamada de modo panortodoxo – de "transmitir às futuras gerações um ambiente natural habitável e o seu uso conforme à vontade divina e a bênção" (Encíclica do Santo e Grande Sínodo) e que "não só as gerações atuais, mas também as futuras têm o direito de gozar dos bens naturais, doados a nós pelo Criador" (Decisão do Santo e Grande Sínodo "A missão da Igreja"), chamamos a todos a mobilizar as forças e, de modo particular, a rezar na luta pela proteção do ambiente na sua mais ampla acepção, ou seja, como conjunção harmônica do ambiente natural e cultural do gênero humano e suplicamos ao Senhor nosso Jesus Cristo, com as orações da Santíssima Mãe de Deus de Pammacaristos, com a voz daquele que clama no deserto, João, o Precursor, com a intercessão de Simeão, o Estilita, e de todos os Santos, que preserve a nossa casa comum natural e cultural de todas as ameaças e destruição e de conceder continuamente e com abundância efusiva a Sua bênção sobre ela. Com recolhimento da alma e com a oração do coração, com todos os fiéis, rezando ao Artífice da Criação, das coisas visíveis e invisíveis, das coisas sensíveis e inteligíveis, a oferecer "o clima temperado e profícuo, as chuvas calculadas e tranquilas, para que a terra frutifique em abundância" e a conceder ao mundo inteiro "uma paz profunda, uma paz que vá além de todo pensamento", invocamos sobre todos os seres humanos e sobre a Casa da terra a Graça e a infinita Misericórdia de Deus. 1º de setembro de 2016. † Bartolomeu de Constantinopla |
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