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Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  Domingo, 20 de Setembro de 2020:
 
 
 

«Domingo depois da Festa da Exaltação Universal
da Santa, Venerável e Vivificante Cruz»

(15º depois de Pentecostes – Modo Pl. 2º)

Memória de Santo Eustáquio, sua esposa Teopista, e seus dois filhos, Agapito e Teopisto, Mártires († C. 110).

Matinas

Evangelho

[LC 24: 1-12]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Marcos.

aquele tempo, no primeiro dia da semana, muito cedo ainda, elas foram ao sepulcro, levando os aromas que tinham preparado. Encontraram a pedra do túmulo removida, mas, ao entrar, não encontraram o corpo do Senhor Jesus. E aconteceu que, estando perplexas com isso, dois homens se postaram diante delas, com veste· fulgurante. Cheias de medo, inclinaram o rosto para o chão; eles, porém, disseram: "Por que procurais entre os mortos aquele que vive? Ele não está aqui; ressuscitou : Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galileia: 'É preciso que o Filho do Homem seja entregue às mãos dos pecadores, seja crucificado, e ressuscite ao terceiro dia'". E elas se lembraram de suas palavras. Ao voltarem do túmulo, anunciaram tudo isso aos Onze, bem como a todos os outros. Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago. As outras mulheres que estavam com elas disseram-no também aos apóstolos; essas palavras, porém, Ihes pareceram desvario, e não lhes deram crédito. Pedro, contudo, levantou-se e correu ao túmulo. Inclinando-se, porém, viu apenas os lençóis. E voltou para casa, muito surpreso com o que acontecera.

Divina Liturgia

Apolitikion da Ressurreição (Modo Pl. 2º)

Enquanto Maria estava, diante do sepulcro,
à procura do teu imaculado Corpo,
os Anjos apareceram em teu túmulo
e as sentinelas desfaleceram.
Sem ser vencido pela morte,
submeteste ao teu domínio o reino dos mortos;
e vieste ao encontro da Virgem revelando a vida.
Senhor, que ressurgiste dos mortos, glória a Ti!

Trisagion

Prostramo-nos ante a tua Cruz, ó Soberano,
glorificando a tua santa Ressurreição.

Prokímenon

Salva, Senhor, o teu povo, e abençoa a tua herança (Sl 28, 9).

Clamo a Ti, Senhor, meu rochedo, presta ouvido aos meus rogos (Sl 28, 1).

Epístola

[GL 2: 16-20]

Epístola do Santo Apóstolo Paulo aos Gálatas.

rmãos, sabendo que o homem não se justifica pelas obras da Lei, mas pela fé em Jesus Cristo, nós também cremos em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da Lei, porque pelas obras da Lei ninguém será justificado. E se, procurando ser justificados em Cristo, nós também nos revelamos pecadores, não seria então Cristo ministro do pecado? De modo algum! Se volto a edificar o que destruí, então sim eu me demonstro transgressor. De fato, pela Lei morri para a Lei a fim de viver para Deus. Fui crucificado junto com Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne, vivo-a pela fé no Filho de Deus que me amou e se entregou a si mesmo por mim. Não invalido a graça de Deus; porque, se é pela Lei que vem a justiça, então Cristo morreu em vão.

Aleluia

Quem habita ao abrigo do Altíssimo
e vive à sombra do Senhor onipotente (Sl 91, 1).

Diz ao Senhor: sois meu refúgio e proteção;
sois o meu Deus no qual confio inteiramente (Sl 91, 2).

Evangelho

[MC 8: 34-9: 1]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Marcos.

aquele tempo, chamando a multidão, juntamente com seus discípulos, disse-lhes o Senhor: «Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar sua vida, a perderá; mas, o que perder sua vida por causa de mim e do Evangelho, a salvará. Com efeito, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e arruinar sua própria vida? Pois, que daria o homem em troca da sua vida? De fato, aquele que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e de minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos». E dizia ainda: «Em verdade vos digo que estão aqui presentes alguns que não provarão a morte até que vejam o Reino de Deus chegando com poder».

Hirmós:

Ó Mãe de Deus, tu és o paraíso místico,
pois sem ser cultivada, produziste Cristo,
que plantou a árvore da Cruz.
Por isso, agora O adoramos crucificado
e a ti exaltamos.

Kinonikón

Gravada está sobre nós, Senhor, a luz da tua face.

Aleluia, aleluia, aleluia!

Encerramento da festa no dia 21.

Notas Homiléticas:

crucifixão era uma forma de pena oriental que foi introduzida no Ocidente pelos persas. Foi pouco usada pelos gregos, mas muito utilizada pelos cartagineses e romanos.

Na literatura romana, a crucifixão é descrita como punição cruel e temida, não sendo aplicada aos cidadãos romanos, mas apenas aos escravos e aos não-romanos que houvessem cometido crimes atrozes, como assassinato, furto grave, traição e rebelião. Seguindo a forma romana de crucifixão Jesus provavelmente carregou somente a parte transversal da cruz, pois a parte vertical era deixada no local da execução à espera do condenado. Os braços eram inicialmente amarrados e somente ao chegar no local eram pregados ao madeiro. Acontecia o mesmo procedimento com as pernas e pés.

A vítima era suspensa pouco mais de um metro do chão para que as pessoas pudessem dar de beber uma mistura de água e fel ou vinagre para ser mantida o tempo inteiro consciente, sem haver possibilidade de desmaios (Mt 27,48). Os romanos crucificavam os criminosos inteiramente nus e não há motivo para se pensar que tenha sido feita alguma exceção para Jesus. As vestes do crucificado eram entregues aos soldados para serem divididas. As vestes de Jesus não foram divididas mas sorteadas pois era de tecido fino e sem costuras. Tal indumentária e feitio não poderiam ser destruídas, por isso preferiu-se lançar sorte. (Mt 27: 35 ss.)

Uma inscrição com o nome do criminoso e a natureza do seu crime era feita sobre uma tabuinha, que o condenado levava pendurado no pescoço até o local da execução; essa tabuinha foi afixada acima da cabeça de Jesus na cruz. Por ironia de Pilatos, a inscrição de Jesus não indicava um crime, mas registrava simplesmente a expressão "rei dos judeus" (Mt 27: 37). A inscrição era feita em três línguas: aramaico, o dialeto local; o grego, a língua do mundo romano e o latim, a língua oficial da administração romana.

A morte de Jesus foi muito rápida. Ele ficou suspenso à cruz algumas horas. Geralmente a morte dos condenados à cruz se dava depois de alguns dias após pregado. Este foi o caso dos dois ladrões que ladeavam Jesus: foram- lhe quebradas as pernas para que o fim fosse apressado pois a Páscoa judaica se aproximava. (Jo 19: 32 ss.)

No Novo Testamento, o simbolismo teológico da Cruz só aparece em uma afirmação do próprio Senhor e nos escritos de São Paulo. Jesus disse que aqueles que o seguem devem tomar a sua própria Cruz, perdendo assim a vida, para depois conquistá-la (Mt 10: 38). Não se trata apenas de alusão à sua própria morte, mas também da afirmação de que seu seguimento exige a negação de si mesmo ( Mc 8: 34), o total desprezo pela própria vida, pelo bem-estar, pelas posses pessoais, a tudo aquilo a que se deve renunciar para seguir Jesus.

Paulo pregava o Cristo crucificado, embora isto fosse escândalo para os hebreus e loucura para os gentios (1 Cor 1: 23). A linguagem da Cruz é absurda para aqueles que, sem ela, se perdem; entretanto é poder de Deus para aqueles que se salvam (1 Cor 1: 18).

Ao encerrarmos a Festa da Exaltação da Santa Cruz, cabe-nos dar à Cruz seu devido valor. O sofrimento nos dá a possibilidade da redenção. Reclamar dele nos atesta que ainda precisamos crescer espiritualmente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BÍBLIA – Bíblia de Jerusalém (Nona Edição Revista e Ampliada). São Paulo: Paulus, 2013.

MCKENZIE, John L. Dicionário Bíblico. São Paulo: Ed Paulinas, 1983.

 

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