Terça-Feira Santa

«Eis que o esposo vem no meio da noite. Feliz o servo que ele encontrar vigilante. Aquele, porém, que encontrar imprevidente será considerado indigno de acompanhá-lo.»
Mons. Irineo Tamanini​
Arquimandrita

SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS​

Matinas da Santa e Grande Terça-feira

Nesta terça-feira, recordamos a parábola do Senhor quanto às virgens prudentes e às virgens tolas. As prudentes aguardaram continuamente a vinda de seu Mestre vigilantes, com suas lâmpadas queimando na escuridão. As tolas foram dormir, pensando que teriam tempo suficiente para se aprontar no último minuto. Mas o Esposo veio no meio da noite, recompensando aquelas que se mantiveram atentas para Ele, e repelindo aquelas que desperdiçaram a oportunidade de se preparar para encontrá-lo.

No ofício de Matinas da Grande Terça-feira, realizado na segunda à noite, medita sobre a Parábola das Dez Virgens. Cristo é o Noivo, e nossas almas são representadas pelas virgens da parábola; e por isso é que estes ofícios foram denominados como “Ofício do Noivo”. A união da alma com Deus é simbolizada, desde o “Cântico dos Cânticos”, com a união do homem e da mulher, união descrita com riqueza de detalhes de uma relação amorosa, indo do Eros ao Ágape. Deus se revela ao homem em uma espécie de êxtase erótico, que naturalmente seduz e atrai as almas dos homens. Essa naturalidade espiritual é comparada com a naturalidade física, emocional e sentimental do homem. A união de Deus com o homem é simbolizada pelas “bodas”, isto é, o zênite da vida conjugal. Esta analogia é novamente baseada no parâmetro de amor incondicional dos noivos que, unidos para sempre, devem constituir uma unidade de corpo e alma. Assim, Cristo, o Noivo perfeito e mais amoroso, seduz e atrai para si as almas dos homens. No entanto, para ter essa relação com Deus é necessário vigiar e estar atento para ser digno no tempo e na forma para a chegada inesperada do Noivo após a união. A paradoxal antitese presença-ausência do Noivo revela nosso ser mais profundo: aqueles que em sua ausência mantêm seu amor indelével, incorrupto e intacto, simbolizado pelas lâmpadas, são os dignos da união com ele. A “ausência” temporal do noivo prova nosso amor por Ele. O momento da ausência-presença do noivo revela, por si mesmo, o verdadeiro sentimento da pessoa. Se sua ausência causa imprudência e falta de cuidado, o sentimento não é válido; por outro lado, se produz fervor para a sua chegada e consequente preparação, significa que o sentimento é original e válido …. a escolha é nossa!

FONTE: Boletim da Arquidiocese Ortodoxa de Buenos Aires e Exarcado da América do Sul, 2020.