Domingo Após a Natividade

Mons. Irineo Tamanini​
Arquimandrita

SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS​

«A Fuga para o Egito»

Tendo celebrado a Festa do Nascimento de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, segundo a Carne, a Igreja quer destacar, neste domingo depois do Natal, três nomes que são fundamentais para reforçar o Mistério da encarnação do Verbo: José, Tiago e Davi.

José é lembrado por ser homem de fé e que esteve ao lado do Menino como pai adotivo; Tiago aparece como o personagem que vai confirmar o dogma da Virgindade de Maria antes e depois do parto; e Davi, porque de sua linhagem nasceu o Salvador, o Messias esperado.

José, Esposo de Maria

Baseados nos relatos da Genealogia, José é filho de Jacó ( Mt 1, 16) ou de Eli (Lc 3, 23) e esposo de Maria, a mãe de Jesus. Aparece nos evangelhos da infância em Mateus e Lucas como também em outros lugares, mas apenas como o humilde “Guardião” de Jesus (Lc 4, 22; Jo 1, 46; Jo 6, 42). No Evangelho de Mateus é chamado de o “Justo”. A ele foi revelado o nascimento virginal de Jesus (Mt 1, 10-25).

Foi também responsável por Maria e Jesus durante a fuga para o Egito. São Mateus não menciona qualquer residência de José em Nazaré antes do retorno do Egito. Já, São Lucas, diz que Maria e José moravam em Nazaré antes mesmo do nascimento do Messias. Após a fuga para o Egito conforme as narrativas de São Lucas, José aparece como figura secundária, presente no Nascimento, na Apresentação do Menino no Templo, na perda e no Encontro de Jesus em Jerusalém. Após estes acontecimentos, a Sagrada Escritura nada mais menciona.

«Por ser homem justo» foi escolhido por Deus para guardar a virgindade de Maria com quem se casou aos 30 anos. Era carpinteiro, trabalhador, tanto que, em Nazaré, perguntaram em relação a Jesus, «Não é este o filho do carpinteiro?» (Mt 13, 55).

Apesar de seu humilde trabalho e suas condições simples, José era de linhagem real. Lucas e Mateus citam sua descendência de Davi, o maior rei de Israel (Mt 1, 1-16 e Lc 3, 23-38). Realmente o Anjo, que primeiro conta a José sobre Jesus, o saúda como “filho de Davi”, um título real usado também para Jesus.

José foi um homem compassivo, carinhoso. Quando soube que Maria estava grávida, ainda não tendo com ela se casado. sabendo que a criança não era sua, pois respeitava sua noiva, planejou separar-se de Maria de acordo com a lei, mas temeu pela segurança e sofrimento dela e do bebê. José sabia que mulheres acusadas de adultério poderiam ser apedrejadas até a morte. Então, decidiu deixá-la silenciosamente para não expor Maria a vergonha ou crueldade (Mt 1, 19-25).

José foi um homem de fé, obediente a tudo o que Deus pedisse a ele. Quando o Anjo apareceu a José em um sonho e contou-lhe a verdade sobre a criança que Maria estava carregando, José imediatamente e sem questionar ou preocupar-se com o que poderiam dizer, tomou-a como esposa.

Cita o Evangelho de Lucas que, tendo se completado o tempo para Jesus nascer, surgiu um decreto que todos deveriam se recensear na cidade de origem. Sendo José da casa de Davi, foi com Maria para Belém, nascendo lá o Salvador. Quando o Anjo de Deus reapareceu para lhe dizer que sua família estava em perigo, ele imediatamente deixou tudo o que possuía, todos os seus parentes e amigos, e fugiu para um país estranho, desconhecido, com sua jovem esposa e o bebê. Ele aguardou no Egito sem questionar até que o Anjo disse a ele que era seguro retornar (Mt 2, 13-23).

José não era rico: quando levou Jesus ao Templo para ser circuncidado e Maria para ser purificada, ofereceu o sacrifício de um par de rolas ou dois pombinhos, o que era permitido apenas àqueles que não tinham condições de comprar um cordeiro (Lc 2, 24 . José amava Jesus. Sua única preocupação era a segurança desta criança confiada a ele. Ele não apenas deixou seu lar para proteger Jesus, mas na ocasião de seu retorno fixou residência na obscura cidade de Nazaré sem temer por sua vida.

Quando Jesus ficou no Templo, José, junto com Maria, procurou por Ele com grande ansiedade, por três dias (Lc 2, 48). José tratava a Jesus como seu próprio filho, tanto que as pessoas de Nazaré constantemente repetiam com relação a Jesus, «Não é este o filho de José?» (Lc 4, 22).

Pelo fato das Escrituras não citarem José nos fatos da vida pública de Jesus, em sua morte e ressurreição, muitos historiadores acreditam que provavelmente deve ter morrido antes que Jesus iniciasse seu ministério.

Tiago, irmão de Jesus

Os irmãos de Jesus são mencionados em Mt 12,46, Mc 3, 31; Lc 8, 19; Jo 2, 12; At 1, 14; 1Cor 9, 5 e Gl 1, 19. São mencionados quatro: Tiago, José, Simão e Judas (Mt 13, 55 e Mc 6, 13).

A Igreja, em todos os Concílios, reafirmou a Virgindade de Maria antes e depois do parto, descartando a possibilidade de que estes fossem também seus filhos. Alguns Santos Padres inicialmente sustentaram a possibilidade de serem filhos do viúvo José, vindos de um casamento anterior. Esta possibilidade logo foi refutada uma vez que carecia de fundamentos.

Aprofundando a exegese Bíblica, os estudiosos encontram a resposta: o termo «irmão» na língua hebraica e aramaica, as línguas que Jesus falava e a língua usada para escrever alguns textos sagrados do Novo Testamento, designa todos os que pertencem a mesma tribo ou clã. Tiago e José, por exemplo, são filhos de Alfeu (Mt 10, 3) com outra mulher também chamada Maria, pertencente a mesma tribo de Israel . Doze eram as tribos e os membros de cada uma delas se chamavam entre si «irmãos».

Outro reforço encontrado nos Evangelhos que descarta a possibilidade de Maria ter mais filhos é a seguinte questão: se Jesus tivesse de fato outros irmãos, filhos de Maria, por que entregaria sua Mãe aos cuidados de João quando estava suspenso à Cruz? Nada, nas Sagradas Escrituras, contradiz o dogma da Virgindade de Maria.

Davi, Profeta-Rei

No Novo Testamento, Davi é mencionado geralmente nas expressões «Filho de Davi» ou «Semente de Davi», ditas a Jesus ou sobre Jesus. A referência de São Paulo à descendência davídica de Jesus (Rm1, 3; 2Tm 2, 8) evidencia que a descendência real era um elemento fundamental do caráter messiânico de Jesus, na visão da Igreja primitiva. Nos Evangelhos o título aparece aplicado a Jesus pelas pessoas que a Ele recorriam para serem curadas ou quando, entrando na cidade de Jerusalém montado sobre um jumentinho, era aclamado com: «Hosanas ao filho de Davi» (Mt 21, 9-15).

Este título reforçava a hipótese de que de fato o Messias estava entre eles, pois os judeus acreditavam que, da família de Davi, nasceria o Salvador, o Ungido, para salvar Israel. (1)

Tal promessa foi dada ao rei Davi, de que o Messias deveria ser um dos seus descendentes, como o Rei eterno, aquele de quem Deus disse: «eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino» (II Sm 7, 13).
E, em Isaías, «então brotará um rebento do tronco de Jessé (que é o pai do rei Davi), e das suas raízes um renovo frutificará» (Is 11, 1).

Este é mais um título do Messias, e indica que, ainda que a árvore da família de Jessé fosse cortada, um Renovo surgiria das raízes. Evidentemente, o último.

«Messias» significa «Ungido», nome dado ao Libertador prometido que viria algum dia ao povo de Israel como seu grande Salvador, Redentor, «Ungido» como Profeta, Sacerdote e Rei da parte de Deus.

«Cristo» é o equivalente em grego da palavra «Messias». Assim, o nome Jesus Cristo significa «Jesus, o Messias» ou «Jesus, o Ungido».

Esta pregação foi feita com tamanha convicção e poder que não só muitos judeus, mas, mais tarde, um número ainda maior de gentios (não-judeus),veio a crer em Jesus como o Cristo, Senhor e Salvador de todos os homens.

  • MACKENZIE, John L. Dicionário Bíblico. São Paulo: Ed. Paulinas, 1983.
  • MORRIS, Henry; CLARK, Martin. The Bible Has the Answer (A Bíblia Tem a Resposta), Master Books, 1987;  Trad. Avelar Guedes Junior, provido por Eden Communications, com permissão de Master Books.

São José, o Justo

São José (cujo nome significa «aquele que cresce») era filho de Jacó, e genro – e portanto, por assim dizer, filho – de Eli (que também era chamado de Eliaquim ou Joaquim), que era o pai de Maria, a Virgem (Mateus 1:16; Lucas 3:23). Ele era da tribo de Judá, da família de Davi, habitante de Nazaré, carpinteiro de profissão e de idade avançada quando, pela boa vontade de Deus, foi noivo da Virgem, para ministrar o grande mistério. da dispensação de Deus na carne, protegendo-a, provendo-a e sendo conhecida como seu marido para que ela, sendo virgem, não sofresse reprovação quando fosse encontrada grávida. José havia se casado antes de seu noivado com Nossa Senhora; aqueles que são chamados de «irmãos e irmãs» de Jesus (Mateus 13:55-56) são filhos de José do seu primeiro casamento. Pelas Escrituras sabemos que São José viveu pelo menos até o décimo segundo ano após o nascimento de Cristo (Lucas 2:41-52); segundo a tradição dos Padres, ele repousou antes do início do ministério público de Cristo.

O filho de Deus e ancestral de Deus, Davi, o grande Profeta depois de Moisés, surgiu da tribo de Judá. Ele era filho de Jessé e nasceu em Belém (de onde é chamada Cidade de Davi), no ano de 1085 antes de Cristo. Ainda jovem, por ordem de Deus, foi ungido secretamente pelo Profeta Samuel para ser o segundo Rei dos Israelitas, enquanto Saul – que já tinha sido privado da graça divina – ainda estava vivo. No trigésimo ano de sua vida, quando Saul foi morto em batalha, Davi foi elevado à dignidade de Rei, primeiro por sua própria tribo e depois por todo o povo israelita, e reinou por quarenta anos. Tendo vivido setenta anos, repousou em 1015 diante de Cristo, tendo proclamado de antemão que seu filho Salomão seria o sucessor ao trono.

A história sagrada registrou não apenas a graça do Espírito que habitou nele desde a juventude, suas façanhas heroicas na guerra e sua grande piedade para com Deus, mas também suas transgressões e falhas como homem. No entanto, seu arrependimento foi maior que suas transgressões e seu amor por Deus fervoroso e exemplar; Deus honrou tanto este homem que, quando seu filho Salomão pecou, ​​o Senhor lhe disse que não destruiria o reino durante sua vida «por amor de Davi, teu pai» (III Reis 12:12). Dos Reis de Israel, Jesus, o Filho de Eclesiástico, testifica: «Todos, exceto Davi, Ezequias e Josias, eram defeituosos» (Eclesiastes 49:4). O nome David significa «amado».

O seu melodioso Saltério é o fundamento de todos os serviços da Igreja; não há um único culto que não esteja repleto de Salmos e versículos sálmicos. Foi o meio pelo qual o antigo Israel louvou a Deus e foi usado pelos apóstolos e pelo próprio Senhor. Está tão imbuído do espírito de oração que os padres monásticos de todas as idades o usaram como treinador e professor para a sua vida interior de conversação com Deus. Além de retratar eloquentemente cada estado e emoção da alma diante de seu Criador, o Saltério está repleto de profecias sobre a vinda de Cristo. Prediz Sua Encarnação: «Ele inclinou os céus e desceu» (Salmo 17:9), Seu Batismo no Jordão: «As águas Te viram, ó Deus, As águas Te viram e ficaram com medo» (76:15), Sua crucificação em seus detalhes: «Traspassaram-me as mãos e os pés… Repartiram entre si as minhas vestes e lançaram sortes sobre a minha veste» (21:16, 18). «Para a minha sede me deram a beber vinagre» (68:26), Sua descida ao Hades, «Pois não abandonarás a minha alma no Hades, nem permitirás que o Teu Santo veja a corrupção» (15:10) e Ressurreição: «Levante-se Deus e sejam dispersos os seus inimigos» (67:1). Sua Ascensão: «Deus subiu em júbilo» (46:5), e assim por diante.