Não nos envergonhemos da cruz de Cristo!

Ele foi realmente crucificado pelos nossos pecados. Quem quiser negá-lo, será confundido por este lugar ilustre, por este Gólgota abençoado onde estamos reunidos precisamente por causa daquele que ali foi crucificado; e pelo madeiro da cruz, que, dividido em fragmentos, enche hoje a terra inteira. Ele não foi crucificado pelos seus próprios pecados, mas para que nós fôssemos libertados dos nossos. Por isso, foi desprezado pelos homens e, como homem, esbofeteado; mas, como Deus, foi reconhecido por toda a criação: pois o Sol, ao ver o seu Senhor ultrajado, afastou-se tremendo, incapaz de suportar tal visão. […]

Não nos envergonhemos da cruz de Cristo; mesmo que outro a esconda, tu, marca-a visivelmente na fronte, para que os demónios fujam aterrorizados ao verem este sinal régio. Faz este sinal quando comeres e beberes, te sentares e te levantares, falares e andares, enfim, em todos os teus atos. Porque aquele que foi crucificado aqui está no alto dos Céus.

Com efeito, se, depois de ter sido crucificado, Ele tivesse permanecido no túmulo, teríamos de corar; mas não: crucificado no nosso Gólgota, Ele subiu da montanha do Oriente, do Monte das Oliveiras, para o Céu. Com efeito, tendo descido da nossa terra para o inferno e subido de novo para nós, subiu de nós para o Céu, enquanto o Pai O aclamava, dizendo: «Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos como escabelo de teus pés» (Sl 109,1).

Não nos envergonhemos da cruz de Cristo; pelo contrário, tenhamos orgulho nela. A cruz é «escândalo para os judeus e loucura para os gentios», mas para nós é salvação. Para aqueles que se encaminham para a sua perda, é também uma verdadeira loucura; para nós, porém, que somos salvos, é «poder e sabedoria de Deus» (1Cor 1,23-24). Pois não foi apenas um homem que morreu por nós, foi o Filho de Deus, foi Deus feito homem. Assim, se no tempo de Moisés, o cordeiro pascal expulsou para longe o exterminador (Ex 12,23), com muito mais vigor «o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo» (Jo 1,29) nos libertará das nossas faltas.

Sim, Jesus sofreu realmente por todos os homens. A cruz não era um simulacro, pois dessa maneira também a redenção o teria sido. A morte não foi uma ilusão […]; a Paixão foi real. Cristo foi realmente crucificado: não temos nada de que nos envergonhar. Não podemos negar que Ele foi crucificado; pelo contrário, digo-o com orgulho. […] Reconheço a cruz porque conheço a ressurreição. Se o crucificado tivesse permanecido na morte, eu não teria reconhecido a cruz, mas tê-la-ia ocultado, assim como ao meu Senhor. Mas a cruz foi seguida da ressurreição; por isso, não me envergonho de falar dela.

São Cirilo de Jerusalém (313-350)
Catequeses batismais,  4, 10.14 | 13, 3-4; PG 33, 771-778
Fonte: Evangelho Cotidiano

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