«A árvore mantém a esperança» (Job 14, 7)

«A árvore mantém a esperança; depois de cortada, voltará a reverdecer e os seus ramos despontarão» (Job 14,7-10). […] Na Sagrada Escritura, a árvore simboliza a cruz, mas também o homem, quer o justo quer o injusto, e ainda a sabedoria de Deus encarnada.

Com efeito, é à cruz que o profeta se refere quando diz: «Destruamos a árvore no seu vigor» (Jer 11,19), referindo-se ao corpo do Senhor. A palavra «árvore» também evoca o homem, quer o justo quer o injusto, quando o Senhor afirma pela boca do profeta: «Sou Eu, o Senhor, que humilho a árvore elevada e elevo a árvore humilhada» (Ez 17,24), porque as suas palavras são conformes à palavra da Verdade: «Quem se elevar será humilhado e quem se humilhar será elevado» (Lc 14,11). […] A árvore é ainda imagem de Deus encarnado, sobre quem a Escritura diz: «É uma árvore de vida para quantos a alcançam» (Pro 3,18), e que diz de Si próprio: «Se assim é tratada a madeira verde, o que se fará ao lenho seco» (Lc 23,31). […]

«A árvore mantém a esperança; depois de cortada, voltará a reverdecer». Quando, na sua Paixão, o Justo é atingido de morte por causa da verdade, recupera a vida na frescura verde da vida eterna. E aquele que, neste mundo, encontrava a sua força na fé, encontra a sua força no alto, na visão beatífica: «e os seus ramos despontarão»; porque acontece muitas vezes que, diante da Paixão do Justo, os fiéis se multiplicam num impulso de amor pela pátria celeste, experimentando a frescura verde da vida espiritual na alegria de o terem visto agir neste mundo com tal força de alma, para glória de Deus.

São Gregório Magno (c. 540-604)
Livro XII, SC 212
Fonte: Evangelho Cotidiano

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