«Reconhece, ó cristão, a tua dignidade!»

Irmãos bem-amados, hoje o Verbo de Deus, Deus, Filho de Deus, que no início estava com Deus, por quem tudo foi feito e sem quem nada se fez (cf Jo 1:3), para libertar o homem da morte eterna, tornou-Se homem. Para revestir a nossa humildade sem que a sua majestade ficasse diminuída, abaixou-Se de tal forma que, permanecendo o que era e assumindo o que não era, uniu a verdadeira natureza do servo àquela em que era igual a Deus Pai. Caríssimos irmãos, demos graças a Deus Pai, por meio de seu Filho, no Espírito Santo, porque, na sua infinita misericórdia nos amou e teve piedade de nós: «Estando nós mortos pelo pecado, fez-nos viver com Cristo» (Ef 2:5), para que fôssemos nele uma nova criatura, uma nova obra das suas mãos.

«Deponhamos, portanto, o homem velho com suas más ações» (Col 3:9) e, já que fomos admitidos a participar do nascimento de Cristo, renunciemos às obras da carne. Reconhece, ó cristão, a tua dignidade. Uma vez constituído participante da natureza divina, não penses em voltar às antigas misérias com um comportamento indigno da tua geração. Lembra-te de que cabeça e de que corpo és membro. Não esqueças que foste libertado do poder das trevas e transferido para a luz do reino de Deus (cf Col 1:13). Pelo sacramento do batismo, foste transformado em templo do Espírito Santo. Não queiras expulsar com as tuas más ações tão digno hóspede, nem voltar a submeter-te à escravidão do demônio. O preço do teu resgate é o sangue de Cristo e Ele, que te resgatou na sua misericórdia, te julgará na sua verdade.

São Gregório Magno (c. 540-604)
1º Sermão para o Natal, 2-3; SC 22bis
Fonte: Evangelho Cotidiano


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