«Quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo»

Devemos ter um cuidado muito especial em seguir o preceito evangélico que nos manda entrar no nosso quarto e fechar a porta para orar ao nosso Pai. Eis como podemos cumpri-lo:

Rezamos no nosso quarto quando retiramos totalmente o nosso coração do tumulto e do ruído dos pensamentos e das preocupações e, numa espécie de face-a-face secreto e cheio de doce intimidade, desvelamos ao Senhor os nossos desejos. Oramos à porta fechada quando suplicamos sem abrir os lábios e num perfeito silêncio Àquele que não tem em conta as palavras, mas olha ao coração.

Rezamos em segredo quando falamos com Deus somente a partir do coração e aplicando a alma, e só a Ele manifestamos os nossos pedidos, tão bem que nem as potestades adversas conseguem adivinhar a sua natureza. Tal é a razão do profundo silêncio que convém guardar na oração. Não devemos ter em vista apenas não distrair os irmãos que nos rodeiam com os nossos sussurros ou gritos, nem ser um obstáculo para as suas almas em oração; mas também esconder o objeto dos nossos pedidos aos nossos inimigos, que, se assim não fosse, multiplicariam os seus ataques. Deste modo, cumprimos o preceito que diz: «Não abras a tua boca nem àquela que dorme em teus braços» (Miq 7,5)


São João Cassiano (c. 360-435)
«Sobre a oração, XXXV; SC 54»
Fonte: Evangelho Cotidiano

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