«Pedro e João, da ação à contemplação?»

A Igreja tem duas vidas preconizadas e recomendadas por Deus. Uma é na fé, a outra na visão; uma na peregrinação no tempo, a outra na morada da eternidade; uma no trabalho, a outra na quietude; uma no caminho, a outra na pátria; uma no esforço da ação, a outra na recompensa da contemplação. […] A primeira é representada pelo apóstolo Pedro, a segunda por João. A primeira decorre inteiramente na Terra até ao fim do mundo, e depois acaba. A segunda só encontrará a sua plenitude depois do fim do mundo, e não terá fim no mundo que há de vir.

Foi por isso que Jesus disse a Pedro: «Segue-Me», e sobre João: «Se Eu quiser que ele fique até que Eu venha, que te importa? Tu, segue-Me». […] Que a tua ação Me siga, perfeita e modelada no exemplo da minha Paixão; que a contemplação começada permaneça até Eu voltar, e torná-la-ei perfeita quando voltar. Porque este fervor vigoroso que se mantém firme até à morte segue a Cristo; e este conhecimento que então será revelado em plenitude permanece até ao regresso de Cristo. Aqui na Terra dos mortais, temos de suportar os males deste mundo; lá, contemplaremos os bens do Senhor na terra dos vivos (Sl 26,13). […]


Santo Agostinho de Hipona (norte de África) (354-430)
Sermões sobre o Evangelho de João, n.º 124, 5-7; CCL 36, 685
Fonte: Evangelho Cotidiano

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