«Persistamos na oração!»

Direi aquilo que a experiência me revelou acerca dos sinais pelos quais se reconhece que a oração foi ouvida pelo Senhor. Se a nossa oração não foi percorrida por qualquer hesitação e nenhum pensamento de dúvida abalou o impulso confiante; se, pelo contrário, temos o sentimento íntimo de ter obtido aquilo que pedíamos na própria efusão da nossa oração, esta foi indubitavelmente eficaz junto de Deus. Porque aquilo que nos permite ser ouvidos e obter satisfação é a fé no olhar de Deus sobre nós, e a confiança de que Ele tem o poder de nos conceder o que Lhe pedimos. Nosso Senhor não pode renegar a sua palavra: «Tudo o que pedirdes na oração, crede que o obtereis, e ser-vos-á concedido» (Mc 11,24). […]

Para trás, pois, todas as hesitações, que trairiam faltas de fé, e persistamos na oração! A nossa perseverança merecer-nos-á a obtenção de tudo o que pedirmos, que – não duvidemos minimamente – será segundo Deus. É o próprio Senhor que, no seu desejo de nos conceder os bens celestes e eternos, nos exorta a exercer sobre Ele uma espécie de violência, importunando-O. E, longe de rejeitar com desprezo os importunos, encoraja-os, louva-os e faz-lhes a suave promessa de lhes conceder tudo o que tiverem esperado com constância: «Pedi e recebereis; procurai e achareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Pois todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra; e ao que bate à porta, abrir-se-lhe-á» (Lc 11,9-10); e ainda: «Tudo o que pedirdes com fé na oração, crede que o obtereis, e nada será impossível para vós» (cf Mt 21,22; 17,20).


São João Cassiano (c. 360-435),
«Sobre a oração», XXXI-XXXII, XXXIV; SC 54,
Fonte: Evangelho Cotidiano

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *