«Manda-me ir ter contigo sobre as águas»

Quando Pedro, cheio de audácia, avança sobre o mar, os seus passos vacilam, mas o seu amor reforça-se […]; afundam-se-lhe os pés, mas ele agarra-se à mão de Cristo. Quando sente as ondas abrirem-se, apoia-se na fé; perturbado pela tempestade, tranquiliza-se no seu amor pelo Salvador. Pedro anda sobre o mar mais levado pelo amor que pelos pés. […] Não vê por onde caminha; vê apenas o vestígio dos passos daquele que ama. Do barco, onde estava seguro, viu o Mestre e, guiado pelo amor que Lhe tem, entra no mar. Já não vê o mar, mas apenas Jesus.

Quando, porém, sente a força do vento, aturdido pela tempestade, o temor começa a encobrir-lhe a fé […] e a água abre-se-lhe sob os passos. Enfraquecendo a fé, a água enfraquece como ela. Então, Pedro grita: «Salva-me, Senhor!». Imediatamente, Jesus estende a mão e, segurando-o, diz-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste? Tens tão pouca fé, que não pudeste continuar e chegar até Mim? Porque não tiveste a fé necessária para chegar ao fim? Fica doravante a saber que só esta fé pode sustentar-te sobre as ondas». […]

Pedro duvida um momento, está prestes a perecer, mas salva-se invocando o Senhor. […] Também este mundo é um mar onde o demónio agita as águas e as tentações multiplicam os naufrágios; só poderemos salvar-nos gritando pelo Salvador, que estenderá a mão para nos agarrar. Por conseguinte, invoquemo-lo incessantemente.


Santo Agostinho de Hipona (norte de África) (354-430)
Sermão atribuído, Apêndice nº 192; PL 39, 2100
Fonte: Evangelho Cotidiano

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