«Quando lhes falo de paz, logo eles falam de guerra» (Sl 119,7)

Jesus veio «reconciliar todas as coisas, pacificando com o sangue da sua cruz tanto as que estão na Terra como as que estão no Céu» (Col 1,20). Se isto é verdade, como compreender o que o próprio Salvador diz no evangelho: «Não penseis que Eu vim trazer a paz à Terra»? […] Como pode a paz não trazer a paz?

Quando enviou o seu Filho, o desígnio de Deus era salvar os homens. E a missão que Ele trazia era a de estabelecer a paz no Céu e na Terra. Então, por que não há paz? Por causa da fraqueza daqueles que não receberam o brilho da luz verdadeira (cf Jo 1,9-10). Cristo proclama a paz, como também diz o apóstolo Paulo: «Ele é a nossa paz» (Ef 2,14); mas esta paz é só para aqueles que nele creem e O recebem.

Uma jovem converte-se, mas seu pai continua pagão […]: «que parte pode ter o fiel com o infiel?» (2Cor 6,15). Um jovem converte-se, mas seu pai mantém-se incrédulo […]: a paz é proclamada, mas não se estabelece […]. «Proclamo a paz, mas a Terra não a recebe». Não era este o desígnio do semeador, que esperava receber o fruto da terra.

Eusébio de Cesareia (c. 265-340)
Sobre a palavra do Senhor: «Não penseis que Eu vim trazer a paz à Terra»; PG 24, 1176
Fonte: Evangelho Cotidiano

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