Neste dia no ano de 351 a Santa Cruz apareceu no céu, sobre a cidade santa, plena de luz, do Gólgota ao Monte das Oliveiras.

No ano 337 o Imperador Constantino morreu. Antes de morrer mandara matar o filho Crispo, filho de seu primeiro casamento, como é explicado na seção referente à festa da Exaltação da Santa Cruz. Restaram os filhos do seu segundo casamento (Constantino, Constâncio e Constante), aos quais elevou à dignidade de Césares e entre os quais e mais dois sobrinhos (Dalmácio e Anibaliano) dividiu a administração do Império. Logo depois de sua morte Constâncio, alegando que seu pai teria morrido envenenado por seus tios, mandou matar dois tios, sete primos, entre eles os dois que dividiam o Império, e um tio por afinidade. Depois junto com seus irmãos Constantino e Constante dividiu o Império por apenas três, dividindo entre si os territórios dos dois primos mortos.

Constantino alegou ter sido fraudado na divisão dos espólios dos territórios dos falecidos primos, e invadiu o território de Constante. Foi morto numa emboscada numa floresta pelos soldados do irmão. Constante tomou seus territórios, sem dividir nada com Constâncio, ficando, portanto com mais de dois terços do Império.

Constante não era bom governante e o fato de gostar de rapazes escravos germânicos, todos jovens louros, belos e de olhos azuis, não ajudava sua popularidade. Aproveitando-se disso, Magnêncio, um de seus generais, proclamou-se Imperador e mandou tropas para capturá-lo. Constante tentou fugir mas foi apanhado e morto dentro de um templo.

A situação se complicou quando Constantina colocou ela mesma o diadema de Imperador na cabeça de Vetrânio. Ela era filha de Constantino e irmã de Constâncio (e consequentemente irmã dos falecidos Constantino e Constante). Era também viúva de Anibaliano, a quem Constâncio mandara matar. Vetrânio era um idoso general governante da Ilíria, mais ou menos no território das atuais Croácia, Iugoslávia, Bósnia e Albânia. Declarou-se imperador com o apoio de Constantina. Aliou-se a Magnêncio e mandaram embaixada a Constâncio procurando acordo. Este alegou ter sonhado com o pai trazendo o cadáver de Constante e clamando por vingança. Recusou qualquer acordo, pôs a ferros todos os embaixadores exceto um que levou a resposta e a guerra civil começou.

Havia então três imperadores, Magnêncio, Vetrânio e Constâncio, sendo os dois primeiros auto-proclamados, ou na linguagem da época, usurpadores. Vetrânio mudou de lado e aliou-se a Constâncio, reunindo suas tropas com as dele em Sardica. É a atual Sofia capital da Bulgária. Suas tropas eram maiores, mas Constâncio manobrou nos bastidores e trouxe para seu lado os oficiais de Vetrânio. Ao discursarem para as tropas Constâncio alegou sua ascendência ilustre e conseguiu que as tropas gritassem contra usurpadores. Vetrânio intimidado se ajoelhou a seus pés e lhe entregou o diadema de imperador. Viveu ainda seis anos na tranqüilidade da vida fora da política, e chegou a escrever a Constâncio dizendo que vida boa era aquela, a de cidadão comum, sem honras de imperador. Restavam então Magnêncio e Constâncio. O primeiro avançava com suas tropas de gauleses, francos, ibéricos e saxões. Constâncio pediu um acordo mas foi rejeitado.

Magnêncio avançou com suas tropas para o leste, e ao longo de um rio chamado Drava encontrou uma cidade, Mursa, dos domínios do rival. Hoje se chama Osijek, na Croácia. Tentou tomá-la de assalto mas naquele momento as tropas de Constâncio chegaram, em sua marcha para o oeste. Magnêncio retirou-se para um campo próximo, muito plano.

As tropas ficaram em expectativa por quase toda a manhã, enquanto nada acontecia. As tropas de Constâncio formaram uma linha perpendicular ao rio, com este à sua direita, e as tropas do rival bem à sua frente. O flanco esquerdo das tropas de Constâncio, que era a cavalaria, se estendia bem mais longe que o flanco direito das tropas de Magnêncio. Constâncio discursou incitando seus homens à luta e foi embora. Deixou a batalha a cargo de seus generais. Estes ordenaram à cavalaria do flanco esquerdo girar sobre um eixo e cair no flanco direito de Magnêncio. Uma massa de couraças de ferro e lanças caiu sobre a infantaria inimiga.

Enquanto seus homens matavam e morriam Constâncio rezava, na igreja dos mártires, pegada aos muros da cidade. Com ele estava o bispo de Mursa, chamado Valente, um ariano. Enquanto os cortesãos de Constâncio tremiam, Valente se manteve confiante. Dizia que um anjo lhe revelara que a batalha estava indo bem, que as tropas do inimigo cediam. Realmente as legiões de Magnêncio foram dispersas pela pressão dos cavaleiros couraçados, e os generais de Constâncio lançaram a segunda linha de cavaleiros, mais leves e armados não de lanças mas de espadas, que desorganizaram ainda mais o inimigo. Desprotegidas, as legiões de Magnêncio foram alvos dos arqueiros orientais e muitos se jogaram no rio e morreram afogados.

Valente anunciou a vitória muito antes que os mensageiros de Constâncio. Mas não era um anjo que lhe dizia isso e sim uma rede de mensageiros próprios, muito mais rápidos, que o mantinha informado dos sucessos da batalha. Vinte e quatro mil homens morreram, e o exército vencedor teve mais mortos que o vencido. Foi uma das batalhas mais sangrentas do império romano, e a dizimação das suas forças numa luta interna enfraqueceu muito o império para as lutas com seus inimigos. Magnêncio jogou fora o diadema e o manto púrpura e fugiu. Depois cometeria suicídio. Constâncio atribuiu a vitória ao bispo de Mursa, que intercedera e fora ouvido pelas forças do Céu. E assim Flávio Júlio Constâncio, segundo filho de Constantino, se tornou Constâncio II, imperador único. E assim os arianos conseguiram um poderoso amigo. Isso no ano de 351.

Os arianos valorizaram mais a vitória de Constâncio, o filho e seu aliado, que a do pai Constantino, que favorecera mais os ortodoxos (=católicos). Cirilo, bispo de Jerusalém, disse que no tempo de Constantino a Santa Cruz aparecera nas entranhas da terra (ver a Festa de Exaltação da Santa Cruz) mas para Constâncio ela aparecera nos céus, pois no dia sete de maio daquele ano, na terceira hora do dia (nove horas da manhã), sobre o Monte das Oliveiras, causando a admiração de todos. O historiador Gibbon insinua que pode ter sido um fenômeno natural, um halo solar. Como acontecia na época, com o tempo o evento foi aumentando, e o historiador ariano Filostórgio já dizia que o prodígio foi visto até no campo de batalha, a mil e quinhentos quilômetros dali, e o idólatra (Magnêncio) fugiu ao vê-lo.

Apesar dessa origem um tanto tingida de arianismo a aparição foi posteriormente considerada legítima e é por nós comemorada todo dia 07 de maio.

A fonte para essa aparição foi Cirilo, bispo de Jerusalém, que segundo autores tinha na época uma posição dúbia entre a heresia ariana e a ortodoxia. Depois aderiu totalmente à posição ortodoxa e participou do Concílio de Constantinopla em 381, que complementou o credo já começado no concílio anterior, de Nieéia. Foi um dos primeiros autores de um catecismo, uma síntese didática dos ensinamentos da fé. Por isso além se canonizado é hoje um dos Doutores da Igreja, junto a gente como Santo Tomás de Aquino e Santa Teresa D’Ávila. De sua catequese n. 5 tiramos esse trecho:

Não é só entre nós, que somos marcados com o nome de Cristo, que a dignidade da fé é grande; mas do mesmo modo todas as coisas conseguidas neste mundo, mesmo por aqueles que são alheios à igreja, são conseguidas pela fé.

Pela fé as leis do casamento juntam pessoas que até então viveram como estranhos. E por causa da fé no casamento uma pessoa se torna parceira da pessoa e das posses de um estranho. Pela fé a agricultura é também sustentada, pois aquele que acredita que não vai colher não empreenderia os trabalhos. Pela fé os homens do mar, confiando-se a um madeiro leve, deixam o sólido elemento da terra pelo inquieto movimento das ondas, confiando-se a esperanças incertas, e levando uma fé mais firme que qualquer âncora. Pela fé portanto a maior parte dos negócios dos homens se mantém: e não só entre nós, como eu disse, mas entre os outros. Pois se eles não têm as escrituras, trazem certas doutrinas, que aceitam pela fé.

 
 

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