Santo Ambrósio nasceu em Trevere, provavelmente no ano 430. Seu pai  também se chamava Ambrósio e era prefeito da Gália e faleceu quando Ambrósio ainda era jovem Sua mãe, então, voltou a morar com a família em Roma. A mãe de Santo Ambrósio deu a seus filhos uma educação esmerada. Pode-se afirmar que a santidade de Santo Ambrósio  se deveu muito a sua mãe e sua irmã Santa Marcelina.  Aprendeu grego, chegou a ser poeta e dedicou-se a advocacia. O Bispo Euxenio, um ariano que governou a diocese de Milão durante quase 20 anos, morreu no ano 374. Para eleger o seu sucessor, a cidade se dividiu em  dois candidatos. Para evitar quanto possível que a eleição gerasse confusão, Santo Ambrósio aceitou que ela fosse realizada no interior de uma Igreja, e exortou ao povo que votasse de maneira pacifica e sem tumultos. Enquanto Ambrósio falava, alguém gritou no meio da multidão: “Ambrósio, Bispo!” Todos os presentes repetiram unanimemente o grito e os membros dos dois partidos o elegeram para o cargo. Ambrósio ficou desconcertado, pois ainda que se declarasse cristão, não fora ainda batizado. Os Bispos presentes ratificaram sua nomeação por aclamação.

Ambrósio alegou com certa ironia: “a emoção havia pesado mais que o direito canônico”. Passou a morar em Milão. O imperador recebeu um comunicado  sobre o acontecido. Da mesma maneira, Ambrósio o escreveu, pedindo-lhe que lhe possibilitasse renunciar. Santo Ambrósio tentou escapar uma vez mais e se escondeu em casa do senador Leôncio. Porém, quando Leôncio soube da decisão do imperador, convenceu Santo Ambrosio a aceitar e este não teve como negar. Assim, pois, recebeu o batismo e uma semana mais tarde, no dia 7 de dezembro de 374, foi consagrado Bispo com 35 anos de idade. Consciente de que já não pertencia a este mundo, Santo Ambrosio decidiu romper todos os laços que ainda o mantinha ligado ele.  Repartiu entre os pobres os seus bens e cedeu à Igreja todas as suas terras e posses. A única coisa que conservou foi uma renda destinada a sua irmã, Santa Marcelina. Confiou, também, ao seu irmão Sátiro a administração temporal de sua diocese para poder se consagrar exclusivamente ao ministério espiritual. Pouco depois de sua ordenação, escreveu para Valentiniano queixando-se com amargura dos abusos de certos magistrados imperiais. O imperador lhe respondeu “Há tempo estou habituado a tua liberdade para expressar-te, e nem por isso deixei de aceitar tua eleição. Não deixes de aplicar às nossas faltas os remédios que a Lei divina prescreve”. São Basílio escreveu a Santo Ambrósio para lhe felicitar, ou melhor, para felicitar a Igreja de Milão por sua eleição e para pedir que combatesse os arianos. Santo Ambrósio que se cria muito ignorante em questões teológicas, entregou-se aos estudos da Sagrada Escritura e das obras dos autores eclesiásticos, particularmente de Orígenes e São Basílio. Seus estudos foram acompanhados por São Simpliciano, um sábio sacerdote romano a quem amava como amigo, honrava como pai e o reverenciava como mestre. Santo Ambrosio combateu com tanto êxito o arianismo que, dez anos mais tarde, não havia em Milão um só cidadão contaminado por tal heresia, exceto alguns godos que pertenciam à corte imperial. Uma das obras que escreveu foi o tratado sobre “A bondade da morte”. As suas obras homiléticas, exegéticas, teológicas, ascéticas e poéticas são numerosas. Enquanto o Império Romano começava a decair no Ocidente, santo Ambrosio cultivava o idioma e enriquecia a Igreja com suas obras. Quando Santo Ambrósio caiu enfermo, predisse que morreria após a Páscoa. Mesmo assim prosseguiu com seus estudos e escreveu uma meditação sobre o Salmo 43. Enquanto Santo Ambrosio ditava as meditações, Paulino, seu secretário que mais tarde foi seu biógrafo, viu uma chama em forma de escudo posar em sua cabeça e descer pouco a pouco até sua boca e seu rosto resplandeceu como a neve. A este respeito, escreveu Paulino: “estava tão assustado que permaneci imóvel, sem poder escrever. E, a partir daquele dia deixou de ditar e de escrever; não terminou de meditar sobre o Salmo 43. A meditação do Salmo foi interrompida no versículo 24. Depois de ordenar o novo Bispo de Pavia, Santo Ambrósio permaneceu de cama. Quando o conde Estilicon, tutor de Honório, soube da noticia, disse publicamente: “No dia em que este homem morrer, a ruína entrará na Itália. Imediatamente o conde enviou alguns mensageiros para pedir que Santo Ambrósio rogasse a Deus para prolongar um pouco mais a sua vida. Santo Ambrosio respondeu: “Vivi de maneira que não me envergonharia de viver um pouco mais. Porém tão pouco tenho medo de morrer, pois meu Senhor é bom”. No dia de sua morte, Santo Ambrósio esteve várias horas rezando de braços abertos e orava constantemente. Santo Honorato de Vercelli que estava descansando em outro quarto, ouviu uma voz que dizia três vezes: «Levanta-te rápido! Ambrósio está a ponto de morrer…». Honorato desceu imediatamente – continua contando Paulino – «e  ofereceu-lhe o Santo Corpo do Senhor. Ao acabar de recebê-lo, Ambrósio entregou o espírito, levando consigo o viático. Deste modo, sua alma, alimentada pela virtude desse alimento, goza agora da companhia dos anjos» («Vida» 47).   Era Sexta-Feira Santa, 04 de abril de 397, e contava com aproximadamente 57 anos. Foi um dos grandes pastores da Igreja de Deus desde a época dos Apóstolos. Foi sepultado no dia da Páscoa..

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com permissão de
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Trad.: Pe. Pavlos

Santo Ambrósio, bispo († 397)

Era funcionário do Império e governava o norte da Itália quando os fiéis da diocese de Milão, inspirados por Deus, o aclamaram seu bispo. Àquela altura, Ambrósio era apenas catecúmeno e ainda não havia recebido o baptismo. Mas foram tão claros os sinais de que era a voz de Deus que naquele momento falava pela boca dos populares que, depois de alguma hesitação, Ambrósio aceitou. Foi batizado, ordenado sacerdote e sagrado bispo. Tomando inteiramente a sério as novas responsabilidades, colocou sua imensa cultura e sua invulgar capacidade administrativa ao inteiro serviço da Igreja. Combateu heresias, favoreceu e defendeu a virgindade consagrada a Deus, empenhou-se tenazmente para extirpar os restos de paganismo do Império. Não hesitou em enfrentar o imperador Teodósio, impondo a ele uma penitência pública porque se portara mal. Deixou numerosos escritos de alto valor intelectual, e teve papel eminente na conversão de Santo Agostinho.


 

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