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Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  Domingo, 6 de outubro de 2019:
 
 
 

«3° Domingo de Lucas»

(16° Domingo depois de Pentecostes - Modo Grave)

Memória do Apóstolo São Tomé (séc. I).

Matinas

Evangelho

[LC 24: 13-35]

Evangelho de JesusCristo, segundo o Evangelista São Lucas

aquele tempo, dois deles viajavam (...) para um povoado chamado Emaús, a sessenta estádios de Jerusalém; e conversavam sobre todos esses acontecimentos. Ora, enquanto conversavam e discutiam entre si, o próprio Jesus aproximou-se e pôs-se a caminhar com eles; seus olhos, porém, estavam impedidos de reconhecê-lo. Ele lhes disse: ‘Que palavras são essas que trocais enquanto ides caminhando?’ E eles pararam, com o rosto sombrio. Um deles, chamado Cléofas, lhe perguntou: ‘Tu és o único forasteiro em Jerusalém que ignora os fatos que nela aconteceram nestes dias?’ – ‘Quais?’, disse-lhes ele. Responderam: ‘O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obra e em palavra, diante de Deus e diante de todo o povo: nossos chefes dos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Nós esperávamos que fosse ele quem iria redimir Israel; mas, com tudo isso, faz três dias que todas essas coisas aconteceram! É verdade que algumas mulheres, que são dos nossos, nos assustaram. Tendo ido muito cedo ao túmulo e não tendo encontrado o corpo, voltaram dizendo que tinham tido uma visão de anjos a declararem que ele está vivo. Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas tais como as mulheres haviam dito; mas não o viram!’ Ele, então, lhes disse: ‘Insensatos e lentos de coração para crer tudo o que os profetas anunciaram! Não era preciso que o Cristo sofresse tudo isso e entrasse em sua glória?’ E, começando por Moisés e por todos os Profetas, interpretou-lhes em todas as Escrituras o que a ele dizia respeito. Aproximando-se do povoado para onde iam, Jesus simulou que ia mais adiante. Eles, porém, insistiram, dizendo: ‘Permanece conosco, pois cai a tarde e o dia já declina’. Entrou então para ficar com eles. E, uma vez à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, depois partiu-o e distribuiu-o a eles. Então seus olhos se abriram e o reconheceram; ele, porém, ficou invisível diante deles. E disseram um ao outro: ‘Não ardia o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, quando nos explicava as Escrituras?’ Naquela mesma hora, levantaram-se e voltaram para Jerusalém. Acharam aí reunidos os Onze e seus companheiros, que disseram: ‘É verdade! O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!’ E eles narraram os acontecimentos do caminho e como o haviam reconhecido na fração do pão”.

Divina Liturgia

Apolitikion da Ressurreição (Modo Grave)

Pela tua Cruz, destruíste a morte,
abriste as portas do paraíso ao ladrão,
converteste em alegria o pranto das Miróforas
e lhes disseste que aos apóstolos anunciassem
que ressuscitaste dos mortos, ó Cristo Deus,
revelando ao mundo a grande misericórdia.

Prokimenon (Modo Grave)

O Senhor dará poder a seu povo
O Senhor abençoará seu povo com a paz.

Oferecei ao Senhor, ó filhos de Deus,
oferecei ao Senhor tenros cordeiros.

Epístola

[2COR 6:1-10]

Segunda Epístola do Santo Apóstolo Paulo aos Coríntios

rmãos, visto que somos colaboradores com ele, exortamo-vos ainda a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: "No tempo favorável, eu te ouvi. E no dia da salvação vim em teu auxílio". Eis agora o tempo favorável por excelência. Eis agora o dia da salvação. Evitamos dar qualquer motivo de escândalo, a fim de que o nosso ministério não seja sujeito a censura. Ao contrário, em tudo recomendamo-nos como ministros de Deus: por grande perseverança nas tribulações, nas necessidades, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nas desordens, nas fadigas, nas vigílias, nos jejuns, pela pureza, pela ciência, pela paciência, pela bondade, por um espírito santo, pelo amor sem fingimento, pela palavra da verdade, pelo poder de Deus, pelas armas ofensivas e defensivas da justiça, na glória e no desprezo, na boa e na má fama; tidos como impostores e, não obstante, verídicos; como desconhecidos e, não obstante, conhecidos; como moribundos e, não obstante, eis que vivemos; como punidos e, não obstante, livres da morte; como tristes e, não obstante, sempre alegres; como indigentes e, não obstante, enriquecendo a muitos; como nada tendo, embora tudo possuamos!

Aleluia (Modo Grave)

Aleluia, aleluia, aleluia!

É bom exaltar o Senhor
e cantar louvores ao teu Nome, ó Altíssimo. (Sl 92, 1)
Aleluia, aleluia, aleluia!

Proclamar pela manhã o teu amor
e a tua fidelidade pela noite. (Sl 91, 2)
Aleluia, aleluia, aleluia!

Evangelho

[LC 7: 11-16]

Evangelho de JesusCristo, segundo o Evangelista São Lucas.

aquele tempo, Jesus foi a uma cidade chamada Naim. Seus discípulos e numerosa multidão caminhavam com ele. Ao se aproximar da porta da cidade, coincidiu que levavam a enterrar um morto, filho único de mãe viúva; e grande multidão da cidade estava com ela. O Senhor, ao vê-la, ficou comovido e disse-lhe: «Não chores!» Depois, aproximando-se, tocou o esquife, e os que o carregavam pararam. Disse ele então: «Jovem, eu te ordeno, levanta-te!» E o morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: «Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo».

 

«Moço, eu te ordeno, levanta-te»

ressurreição do jovem da cidade de Naím, para o Evangelista São Lucas, é um sinal da chegada dos tempos messiânicos, é uma amostra do que aconteceria após a consumação dos tempos, quando Jesus passaria pela experiência da morte, ressuscitando ao terceiro dia. Lucas é o único Evangelista a narrar este milagre.

Em Jesus se verificam todos os sinais messiânicos contidos nas profecias: "Então, se abrirão os olhos dos cegos e os ouvidos dos surdos; então o coxo saltará como o cervo, e a língua dos mudos gritará de alegria" (Is 35,5-6). O próprio Jesus, como testemunho de sua missão messiânica, mandava dizer ao Batista: "Ide dizer a João: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam" (Lc 7,22). Era o que acontecia à sua passagem. Nem a morte lhe punha resistência!

Nas proximidades de Naím, encontrou Jesus um cortejo fúnebre onde uma pobre viúva chorava a morte do seu único filho. De um lado seguia o cortejo da morte; do outro, a caravana da vida. Jesus foi ao encontro da morte, do sofrimento, para restaurar a vida que estava perdida. Diante daquele cenário moveu-se o Senhor de compaixão dizendo à mulher que já havia perdido seu marido e agora estava a sepultar seu único filho: "Não chores'" (Lc 7,14).

Jesus era extremamente sensível ao sofrimento humano. Todo o seu ministério foi pontilhado de experiências de compaixão. Não lhe passava despercebida nenhuma situação de dor e angústia. Sua sensibilidade era ainda mais aguçada quando se tratava de pessoas cuja condição social as tornava vulneráveis, vítimas da exploração e da marginalização.

Sem esperar ser solicitado, Jesus tomou a iniciativa de devolver a esperança ao coração daquela mulher, pois teve compaixão dela. Não se limitou, porém, a simples palavras de consolação. Restituiu a vida ao filho que era levado para a sepultura. Não esperou que aquela mãe ou outro familiar lhe suplicasse por um milagre ou declarasse publicamente sua fé - como quase sempre acontecia antes de um milagre - mas, movido de compaixão, diz: "Jovem, eu te ordeno, levanta-te!" Lc 7,15. Só o Senhor da Vida e da morte pode falar assim, e com palavras que produzem o que exprimem. "E sentou-se o morto e começou a falar. E o Senhor o entregou à sua mãe" (Lc 7, 16).

Na época de Jesus, uma viúva ocupava uma situação social difícil. Aliás, toda mulher era vista como alguém dependente do marido ou do seu pai. Quando tornava-se viúva ficava a mercê de seu filho mais velho, pois quem herdava os bens deixados era o filho varão e nunca a esposa. Neste episódio do Evangelho, o filho era sua única herança, cuja proteção, moradia e bem estar, dele provinham.

A viúva deveria ainda vestir-se com trajes que a identificassem como tal. Por causa disso era taxada na sociedade como alguém indefesa, desprotegida, pobre e, por isso, vítima fácil de enganadores, agiotas, credores etc. A Igreja primitiva suplicava pela assistência prática às viúvas, providenciava-lhes alimentos e roupas (At 6,1). São Tiago diz que a assistência aos órfãos e às viúvas demonstra que grau de compreensão e adesão à Boa Nova de Jesus as pessoas viviam. (Tg 1,27). Ciente de toda esta situação, o Senhor deixa revelar sua dupla natureza: Ele é verdadeiramente homem, sensível ao sofrimento e às dores humanas; Ele é verdadeiramente Deus, o que perdoa os pecados e tem poder sobre a morte, operando o milagre da vida.

O milagre da ressurreição do jovem é pré-anúncio da Ressurreição do Senhor. Ao vê-lo, as pessoas que ali estavam e presenciaram a manifestação direta de Deus na história humana exclamavam: "Alegremo-nos, pois Deus visitou o seu povo". Hoje podemos afirmar que Deus já não somente nos visita, mas habita em nós. Cada cristão é uma tenda onde o Santo dos Santos faz sua morada. Ele está em nosso meio. O respeito pelo outro, no qual também Deus habita, também se fará mais visível quando de fato crermos nesta verdade.

Nosso Deus é o Deus da Vida. A ressurreição daquele jovem foi operada por Jesus que era Deus-homem. Nós, como filhos de Deus em Jesus Cristo, podemos contribuir para que o milagre da vida se faça, na recuperação, por exemplo, da dignidade de muitos jovens de nosso tempo que, aparentemente, estão como "mortos". Uma palavra, um encontro, um diálogo, a amizade podem significar o início de uma grande experiência de revivificação, de "ressurreição".

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BÍBLIA – Bíblia de Jerusalém (Nona Edição Revista e Ampliada). São Paulo: Paulus, 2013.

STORNIOLO, Ivo. Como Ler o Evangelho de Lucas. São Paulo: Ed. Paulus.

MACKENZIE, John. Dicionário Bíblico. São Paulo: Ed. Paulinas, 1983.

 

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