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Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  Domingo, 17 de Fevereiro de 2019:
 
 
 
Fariseu e Publicano

«Domingo do Publicano e do Fariseu»

(16° do Evangelho de Lucas - Início da Grande Quaresma - Triódion)

(10º antes da Páscoa - Modo 1 Pl.)

São Teodoro de Tiro, chefe militar, megalomártir (†319)

Matinas

Evangelho

[Lc 24: 13-35]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Lucas

aquele tempo, iam dois deles para uma aldeia chamada Emaús, que distava de Jerusalém sessenta estádios; e iam comentando entre si tudo aquilo que havia sucedido. Enquanto assim comentavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou, e ia com eles; mas os olhos deles estavam como que fechados, de sorte que não o reconheceram. Então ele lhes perguntou: Que palavras são essas que, caminhando, trocais entre vós? Eles então pararam tristes. E um deles, chamado Cleopas, respondeu-lhe: És tu o único peregrino em Jerusalém que não soube das coisas que nela têm sucedido nestes dias? Ao que ele lhes perguntou: Quais? Disseram-lhe: As que dizem respeito a Jesus, o nazareno, que foi profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo, e como os principais sacerdotes e as nossas autoridades e entregaram para ser condenado à morte, e o crucificaram. Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de remir Israel; e, além de tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram. Verdade é, também, que algumas mulheres do nosso meio nos encheram de espanto; pois foram de madrugada ao sepulcro e, não achando o corpo dele voltaram, declarando que tinham tido uma visão de anjos que diziam estar ele vivo. Além disso, alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; a ele, porém, não o viram. Então ele lhes disse: Ó néscios, e tardos de coração para crerdes tudo o que os profetas disseram! Porventura não importa que o Cristo padecesse essas coisas e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras. Quando se aproximaram da aldeia para onde iam, ele fez como quem ia para mais longe. Eles, porém, o constrangeram, dizendo: Fica conosco; porque é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com eles. Estando com eles à mesa, tomou o pão e o abençoou; e, partindo-o, lho dava. Abriram-se-lhes então os olhos, e o reconheceram; nisto ele desapareceu de diante deles. E disseram um para o outro: Porventura não se nos abrasava o coração, quando pelo caminho nos falava, e quando nos abria as Escrituras? E na mesma hora levantaram-se e voltaram para Jerusalém, e encontraram reunidos os onze e os que estavam com eles, os quais diziam: Realmente o Senhor ressurgiu, e apareceu a Simão. Então os dois contaram o que acontecera no caminho, e como se lhes fizera conhecer no partir do pão. Divina Liturgia

Apolitikion da Ressurreição

Glorifiquemos fiéis e adoremos o Verbo
eterno com o Pai e o Espírito Santo,
nascido da Virgem para a nossa salvação;
pois, em sua carne, deixou-se suspender na cruz,
padecer a morte e ressuscitar dos mortos
pela sua gloriosa ressurreição.

Kondakion do Publicano e do Fariseu

Fujamos da soberba do Fariseu
e aprendamos a humildade do Publicano
manifestada pela sua compunção
clamando ao Salvador:«Perdoa-nos Tu, ó único Clemente!»

Prokimenon (Modo 1)

Tu, Senhor, nos guardarás e nos preservarás
desta geração e para sempre!

Salva-me, Senhor, porque o justo desapareceu,
porque a verdade se extinguiu entre os filhos dos homens.

Epístola

[2Tm 3: 10-15]

Segunda Epístola do apóstolo São Paulo a Timóteo.

u, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, amor, paciência, perseguições e aflições tais quais me aconteceram em Antioquia, em Icônio, e em Listra; quantas perseguições sofri, e o Senhor de todas me livrou; e também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições. Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados. Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, e que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.

Aleluia (Modo 1)

Eu cantarei eternamente as tuas misericórdias, Senhor;
anunciarei a tua verdade de geração em geração.

Pois disseste: «A misericórdia elevar-se-á como um edifício eterno
e nos céus a tua verdade será solidamente estabelecida».

 

Evangelho

[Lc 18: 10-14]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista SÃo Lucas.

aquele tempo, Jesus contou esta parábola: «Dois homens subiram ao Templo para rezar; um era fariseu, o outro era cobrador de impostos. O fariseu, de pé, rezava assim no seu íntimo: 'Ó Deus, eu te agradeço, porque não sou como os outros homens, que são ladrões, desonestos, adúlteros, nem como esse cobrador de impostos. Eu faço jejum duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda'. O cobrador de impostos ficou à distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu, mas batia no peito, dizendo: 'Meu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!' Eu vos declaro: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva, será humilhado, e quem se humilha, será elevado».

 

O Publicano e o Fariseu

rês semanas antes dos quarenta dias (Quaresma) que antecedem a Páscoa, a Igreja Ortodoxa inicia o «Triódion» . Este nome é originado de uma coleção de livros litúrgicos que preparam os fiéis por meio de orações solenes para a Festa das festas do cristianismo: a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Neste tempo, as leituras, as orações e as súplicas enfatizam a importância da oração, do jejum e da penitência como importantes ingredientes do amadurecimento espiritual.

Iniciamos o «Triódion» com o «Domingo do Fariseu e do Publicano», onde refletimos sobre a sinceridade de nossa oração dirigida a Deus. Para isso, Jesus elabora uma parábola usando dois personagens que tinham em comum o desafeto do povo: o fariseu e o publicano, mas que se distinguem por ter ou não a humildade, ser ou não, humilde.

Os fariseus formavam um grupo de religiosos e, normalmente, são descritos pelos exegetas como pessoas que procuravam cumprir as normas e seguir a Lei de Moisés. Demonstravam grande zelo pelas suas tradições teológicas, cumpriam meticulosamente as práticas exteriores do culto e das cerimônias, ostentando uma devoção e um fervor religioso nem sempre autênticos. Entre os fariseus, muitos usavam a tradição para aparentar virtudes entre os demais, ocultando, no entanto, costumes dissolutos, mesquinhez, secura de coração e, sobretudo, muito orgulho. A espiritualidade era apenas aparente. Em Mateus, 23, o próprio Jesus chama estes fariseus de «sepulcros caiados», que, por fora se mostravam belos, mas interiormente estavam cheios de podridão!

Os fariseus eram os seguidores de uma das mais influentes ramificaçães do Judaísmo. Os Publicanos, já mencionados no Evangelho de Zaqueu, eram os arrecadadores de impostos públicos, exigidos do povo judeu pelos romanos, que, cobrando sempre acima do que era devido, recolhiam para si dos impostos obtidos. Os judeus, que mal podiam suportar a dominação romana e não se conformavam com o pagamento de impostos, pois julgavam ser contra a lei, fizeram do caso uma questão religiosa. Abominavam, pois, esses agentes do fisco, considerando os publicanos como traidores e evitavam por isso qualquer contato com eles. Em suma, eram, os publicanos, renegados como gente da pior espécie.

Jesus se utiliza deste contexto sócio religioso díspare para semear sua mensagem carregada de misericórdia para com os humildes de coração. Novamente, a parábola é o recurso que usa para levar a Boa-Nova aos que necessitavam.

«Dois homens subiram ao templo, a fim de orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, estando em pó, orava assim consigo mesmo: 'Meu Deus, eu vos rendo graças porque não sou como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem mesmo como esse publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo o que possuo'» (Lc 18,10-12).

O fariseu, na parábola, demonstra uma atitude em que o orgulho e a soberba se deixam revelar pela postura que usa estando num lugar sagrado. Ele estava de pó. Não somente estava de pó, mas, como Jesus o descreve: «orava de si para si mesmo». Ele estava mais preocupado em lembrar-se de suas virtudes do que em falar com Deus. Esta atitude era também demonstrada pela própria oração. Não havia demonstração de reverência a Deus. Não havia manifestação de humildade. Não havia reconhecimento de sua posição em relação àquele a quem estava se dirigindo. Não havia petição. A única coisa que é ressaltada é sua postura convencida, orgulhosa de suas virtudes em relação aos outros.

Nesta parábola narrada pelo Divino Mestre, o fariseu, com sua petulância e arrogância, parece não precisar de Deus, pois confia em si mesmo e ainda despreza as pessoas. Era um homem cheio de justiça própria e usa o pronome «eu», pelo menos, quatro vezes em sua oração na qual está ausente a confissão de seus pecados, pois confiava em suas obras e afirmava que jejuava duas vezes por semana; a Lei prescrevia um dia de jejum por ano, mas «ele se julgava tão bom» que jejuava duas vezes por semana, isto é, 48 vezes por ano. «O publicano, ao contrário, mantendo-se distante, não ousava sequer erguer os olhos ao céu; mas batia no peito dizendo: Meu Deus, tende piedade de mim que sou um pecador.» (Lc 18, 13)

O publicano foi ao templo para orar, mas não se atrevia a levantar os olhos para os céus, apenas ergueu as mãos em oração. Quando nossos olhos se constrangem de olhar a para o Senhor face-a-face por causa de nossos pecados, resta-nos elevarmos os braços e pedir ajuda para o Deus-Amor.

A humildade não impediu que o publicano reconhecesse seus erros. A ausência do orgulho naquele coração cedeu lugar à Graça. Proferiu uma oração curta, simples, precisa, esmerada na verdade e honestidade e que continha todos os ingredientes necessários para que Deus a ouvisse. Nestes versículos estão presentes o reconhecimento do pecado, a consciência de que se necessita do perdão de Deus e a ação da Graça Divina. Eram estas as consideraçães que o levaram a baixar sua cabeça, bater em seu peito e humilhar-se sob a poderosa mão de Deus.

No final da parábola, Jesus disse que o publicano desceu justificado para sua casa, mas o fariseu não. Deus ouviu e respondeu ao grito angustiado do pecador em agonia espiritual. «Eu vos declaro que este retornou, entre os seus, justificado, e não o outro; porque todo aquele que se eleva será humilhado, e todo aquele que se humilha, será exaltado.» (Lc 18,14)

O fariseu saiu sentindo-se justificado. Ele tinha acabado de falar com Deus. Ele tinha cumprido sua responsabilidade e, em sua mente, tinha-a cumprido muito bem. O coletor de impostos, por outro lado, saiu justificado por Deus, porque se humilhou. Há uma diferença essencial em se sentir santo e ser santo. Ele saiu justificado porque possuía a chave do oferecimento de uma oração que é aceitável a Deus. Ele demonstrava as qualidades da verdadeira grandeza no Reino do Céu como é descrita em Mateus 20:26-28. «Quem quiser ser o primeiro entre vos será vosso servo.» Este homem foi para sua casa justificado porque percebia que, quem quer que se humilhe será exaltado (Mt 23:12).

Encontramos publicanos e fariseus em nós mesmos e entre nós. Vez por outra a hipocrisia se instala em nossas vidas, e a humildade também. Que possamos agir como o publicano desta parábola, reconhecendo nossos pecados, buscando a misericórdia de Deus e deixando de lado a pseudo-santidade. Náo basta que nos abstenhamos do mal e nos mostremos rigorosos no cumprimento de determinadas regras de bom comportamento social; mais que isso, é necessário reconhecer que somos todos irmãos, não nos julgarmos superiores aos nossos semelhantes, por mais culpados e miseráveis que pareçam ser, nem tampouco desprezá-los, porque isso constitui, sempre, falta de caridade. A humildade sincera é o melhor agente de uma autêntica conversão.


Fontes CONSULTADAS:

GOMES, C. Folch, Antologia dos Santos Padres. São Paulo: Ed. Paulinas. (3a. Ed.)
STORNIOLO, Ivo, Como Ler o Evangelho de Lucas. São Paulo: Ed. Paulus (4a. Ed)

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