“A crise ecológica não é apenas um fato econômico, político e nem mesmo tecnológico, mas revela principalmente uma crise teológica e espiritual”. É isso que o Patriarca Bartolomeu ressalta em uma mensagem de vídeo aos participantes da conferência ecumênica sobre a custódia da criação que foi realizada em Milão.

A informação foi publicada por L’Osservatore Romano, 22/23-11-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

O encontro, que durou três dias, terminou com uma oração ecumênica na Basílica de Santo Ambrósio, durante o qual representantes de diferentes confissões renovaram o pedido de perdão “pelo modo como abusamos da terra, desperdiçando os seus recursos, reduzindo amplas áreas a aterro e deserto”.

Intitulado “Teu coração guardará meus mandamentos.

Uma criação para proteger, por crentes responsáveis em resposta à Palavra de Deus”, o encontro foi promovido pelo departamento para o ecumenismo do episcopado italiano em colaboração com a Federação das Igrejas Evangélicas na Itália, a Arquidiocese Ortodoxa da Itália do Patriarcado Ecumênico, a Diocese copta-ortodoxa de São Jorge, a Igreja da Inglaterra e a Diocese ortodoxa romena. “Nós ignoramos a criação – afirma em sua mensagem o Patriarca de Constantinopla – como um dom sagrado que nos foi dado por Deus do qual temos abusado, tratando a criação como nossa propriedade, de acordo com os nossos desejos e não os de Deus, às vezes não compartilhando com os outros, especialmente com os pobres”. E esse é o motivo, foi ressaltado, que levou o Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu, desde sempre na vanguarda da defesa da criação, a trabalhar juntos, a fim de “levar ao conhecimento o impacto das implicações da mudança climática”. De fato, “manipular e controlar os recursos limitados do planeta e nossa ganância pelo lucro do mercado – defende o guia espiritual ortodoxo – nos alienaram do propósito inicial da criação. Não mais respeitamos a natureza como um dom a ser compartilhado, mas a consideramos uma posse particular”.

Nessa perspectiva, o patriarca ecumênico convida os participantes do encontro e representantes das Igrejas cristãs na Itália para enfrentar e resolver a crise ecológica juntos: “Nós devemos isso a Deus, à nossa fé e à Igreja, mas também devemos isso aos nossos filhos, porque somos obrigados a lembrar que não só a presente, mas também as futuras gerações têm o direito de desfrutar da natureza das florestas que nos foram dadas pelo Criador”.

Sobre a necessidade de um compromisso comum também se manifestou o Bispo Presidente da Comissão para o ecumenismo e o diálogo, Ambrogio Spreafico, que destacou que “agora estamos ficando cada vez mais conscientes de que a justiça social está intimamente ligada à justiça na criação”. De fato, acrescentou, “os 230 milhões de migrantes climáticos previstos até 2050 são o fruto do que nós fizemos nas últimas décadas, uma insensata destruição dos delicados equilíbrios do clima e dos ecossistemas que já está nos afetando.” Para o arcebispo de Milão, Mario Delpini, as Igrejas pedem para não permanecermos “mais impassíveis diante da crise ecológica”. Como cristãos, acrescentou, queremos praticar nossa responsabilidade e, portanto, responder ao Senhor e cumprir a missão de construir um novo mundo”.


Fonte: IHU

 
 

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