Uma importante mensagem sobre a necessidade de proteger as crianças e preservar a infância foi enviada pelo Patriarca Ecumênico Bartolomeu I durante seu pronunciamento por ocasião da comemoração do Dia Mundial da Criança, nesta quarta-feira, 21 novembro de 2018, uma iniciativa do Conselho Mundial de Igrejas, em sua Sede de Genebra, e em cooperação com o UNICEF. O Patriarca foi o principal orador do evento, assistido por celebridades de todo o mundo e realizado como parte dos 70 anos do estabelecimento do CMI, para o qual o Patriarcado Ecumênico deu uma contribuição decisiva.

Neste momento, nossos olhos estão voltados não só para o nosso passado comum, mas também para o nosso futuro comum: os nossos filhos. É importante ter em mente que as crianças não representam apenas o nosso futuro, mas que elas são de fato o presente sobre o qual o futuro está sendo construído”, observou o Patriarca Ecumênico; e em outro momento de seu discurso, sublinhou: “Proteger as crianças de qualquer tipo de violência sempre foi e deve permanecer sendo uma mensagem essencial do cristianismo. Portanto, os cristãos são chamados a proteger as crianças tanto na sociedade quanto no âmbito interno de suas próprias comunidades. Bartolomeu I expressou a satisfação do Patriarcado Ecumênico pela cooperação entre a UNICEF e o Conselho Mundial de Igrejas nessa direção.

Encorajamos as Igrejas a protegerem as crianças da praga da mortalidade, da fome e do trabalho forçado; do abuso e da violência psicológica; bem como dos perigos da exposição sem controle aos meios eletrônicos contemporâneos de comunicação, que podem afetar negativamente a alma e o comportamento de nossas crianças”, disse Sua Santidade, recordando o apelo que fez em sua Mensagem de Natal no ano de 2016 a todos os fiéis e todas as pessoas de boa vontade, para respeitar a pureza e a santidade da infância. Nesse contexto, continuou, o Patriarcado Ecumênico dedicou o ano de 2017 à “Proteção da Sacralidade da Infância”.

Hoje, enfrentamos também muitos outros desafios que afetam as crianças. Os impressionantes desenvolvimentos que foram alcançados nos setores de tecnologia e comunicação constituem uma séria ameaça à dignidade da infância, com o computador e a Internet dominando todos os aspectos da vida individual e social. Algumas das consequências dessa mudança incluem o chamado “desaparecimento da infância”, a perda da inocência das crianças e uma indução precoce da idade adulta. As crianças estão, de fato, crescendo muito rapidamente, e o impacto que os pais e a família têm sobre a sua formação é enfraquecido quando a Internet funciona como uma fonte primária de valores em escala global”, disse Sua Santidade, salientando que um dispositivo eletrônico não pode ser um substituto para a relação que a criança desenvolve com seus pais, professores ou qualquer pessoa que que se ocupe com o seu cuidado cotidiano, nem pode satisfazer suas necessidades vitais para atividade física e comunicação pessoal.

Enquanto a humanidade tem trabalhado para a proteção e a preservação da infância, – no século passado, o “século da criança” e o “século da educação”, – estamos encurtando o período da infância através da revolução “óptica” e “digital” da Internet, televisão, smartphones e tablets. Isso significa que o poder de formação e o espaço onde podemos educar as crianças estão diminuindo”, disse ele, referindo-se em particular ao domínio da economia e da cultura do consumismo. Como resultado, o Patriarca observou que hoje as crianças são tratadas como “unidades consumidoras” e como “segmentos importantes de mercado” e a infância é transformada em uma “classe financeira”.

O Patriarca Ecumênico deu ênfase especial aos efeitos da globalização nas mudanças climáticas e nos fluxos migratórios modernos, que afetam significativamente as crianças, que são a parte mais vulnerável de qualquer sociedade. Uma referência particular foi feita àquelas crianças que vivem em situações de guerra e conflito, experimentando a condição de refugiados e da imigração, bem como as consequências do desastre ecológico geral. “Em 2015 e 2016, trezentas mil crianças em todo o mundo estavam em situação de migratória, sem adultos para acompanhá-los. Isso é cinco vezes maior do que a mesma estatística em 2010 e 2011. Essas crianças e jovens percorrem caminhos perigosos para chegar ao seu destino, como rotas pelo mar Egeu e centro do Mediterrâneo, e muitas vezes são separadas de suas famílias, fugindo da violência, miséria, pobreza ou catástrofes relacionadas a desastres ecológicos ”.

Sua Santidade recordou a visita que fez ao Papa Francisco de Roma e ao Arcebispo Ieronymos de Atenas ao campo de refugiados de Moriá e referiu-se ao apelo conjunto de que “o Mar Mediterrâneo não deveria ser um túmulo, mas um lugar de vida, uma encruzilhada de culturas e civilizações, um lugar de troca e diálogo”. Observou que a imigração, os refugiados e mudança climática são fenômenos intimamente ligados e continuarão sendo os maiores desafios que a humanidade precisará enfrentar nos anos vindouros. “É por isso que nossas Igrejas devem empreender iniciativas que promovam a proteção do meio ambiente e, posteriormente, de nossos filhos”.

Concluindo seu discurso, o Patriarca Bartolomeu expressou caloroso apoio do Patriarcado Ecumênico às iniciativas relevantes do CMI, incluindo a recentemente adotada “Política de Salvaguarda da Criança”, bem como as ações da UNICEF. “As crianças migrantes são muitas vezes as primeiras a serem afetadas pela guerra, conflitos, mudanças climáticas e pobreza. Sua proteção é responsabilidade compartilhada de nossas Igrejas, disse, e destacou que a Igreja Ortodoxa defende os direitos das crianças e trabalha para promover a proteção de sua pessoa e dignidade.

O Secretário Geral do CMI, Rev. Dr. Olav Fykse Tveit, deu  as boas-vindas ao Patriarca Bartolomeu, referindo-se às iniciativas do Patriarcado Ecumênico para proteger os direitos das crianças e fortalecer a conscientização sobre a opinião pública global. O Secretário Geral do CMI disse que o Patriarca Ecumênico, conhecido como o “Patriarca Verde”, pode também ser chamado de o “Patriarca das Crianças”.

Após o discurso de abertura, o Patriarca foi saudado pelo Sr. Philip Cori, representante da UNICEF.

O Patriarca Ecumênico reuniu-se depois com as cerca de 80 crianças que frequentavam a Escola Primária Helênica de Genebra-Lausanne, onde falou de maneira paternal, abençoando-as, bem como aos seus pais, distribuindo-lhes chocolates e posando para fotos comemorativas. Em seguida, juntamente com as crianças e os delegados, participou de um show de marionetes sobre o significado da colaboração dos cristãos no âmbito do CMI, em benefício das crianças e do mundo inteiro.


Fonte: Newsletter of Ecumenical Patriarchate Permanent Delegation the Word Council of Churces

 
 

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