Mensagem da Conferência Permanente dos Bispos Ortodoxos Ucranianos além das Fronteiras da Ucrânia para a Grande Quaresma do Ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2005

Tradução do inglês por: Natalia Waszczynskyi

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Ao venerável Clero, Monacato e Fiéis devotos da Igreja Ortodoxa Ucraniana dos Estados Unidos e América do Sul.

Que o Amor e a Paz de Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que padeceu os sofrimentos na Cruz por nossa causa, estejam convosco!

Para os cristãos fiéis ortodoxos, o período de quarenta dias que antecede a Semana Santa e a Páscoa é comumente dito, e de fato é, um tempo de renovação pessoal. Negar isto, reduzindo o período da Grande Quaresma a uma prática mínima, diluí-la concentrando-se apenas nos aspectos comerciais associados a esta época do ano – é afastar-se da experiência restauradora que estes dias de Quaresma proporcionam, a experiência santificante da Semana Santa e o triunfo da Páscoa.

É um período para o qual somos chamados a redirecionar o foco de nossa atenção, a desviá-la das preocupações desta vida, depositando nossa confiança em Deus, e de concentrá-la em sermos aqueles que, de acordo com São João, o Evangelista, aceitam Cristo, encarnado por causa do amor do Pai para conosco.  E, aceitando-O, participam da sua Ressurreição.

A Quaresma nos faz lembrar que, se usarmos da melhor forma os meios que a Igreja nos disponibiliza nesta época – arrependimento, cura espiritual através do sacramento da confissão, recepção freqüente da Sagrada Eucaristia e obras de misericórdia, entre outros, então nosso relacionamento com Cristo revestir-se-á de um sentido novo, fortalecido, profundo e intenso.

A Quaresma traz ao nosso lar a mensagem de Cristo, de que o seu Reino, do qual nos tornamos membros pelo batismo, não é deste mundo temporal. Toda tentativa de fazer do Corpo de Cristo – Sua Igreja – Sua Imaculada Noiva – um instrumento para favorecer qualquer tipo de ambição pessoal mundana, sempre falhou e falhará, inexoravelmente.

A Quaresma, com sua ênfase na oração, jejum, reconciliação e obras de misericórdia, rejuvenesce nosso relacionamento com a Vida, o Amor e a Paixão de Cristo, que acolhe ao convite de qualquer “Zaqueu”, entre nós, aceitando e apoiando uma sincera resolução de mudança de vida. O Filho de Deus quer a nossa unidade como filhos do mesmo Pai, e deixa claro que Ele deseja permanecer conosco e dentro de nós.

A Quaresma nos leva a um contato mais direto com o Pai misericordioso, que apesar de gravemente desapontado com a nossa conduta, espera pacientemente pela nossa “metanóia” – pelo nosso retorno. Quando, finalmente,  decidimos voltar a Ele, já à distância nos vê e apressa-se para nos encontrar e abraçar, devolvendo-nos imaculada a nossa  veste batismal, manchada com nossos muitos pecados cometidos por atos e omissões.

A Quaresma nos faz lembrar quão fácil é nos inflarmos com orgulho e o amor-próprio, como é fácil praticar de uma maneira mecânica e orgulhosa, tão somente as formalidades aparentes de nossa Fé. A Quaresma nos faz lembrar de como é fácil menosprezar ou julgar aqueles que não correspondem aos nossos próprios padrões, como membros da paróquia ou da comunidade de fé. A Quaresma nos faz lembrar, conforme o conselho de São João Crisóstomo, que antes de fazermos nossa oferta no altar sagrado, é necessário nos purificarmos de nossos pecados. É um pré-requisito e, tal purificação, não nos vem apenas das águas purificadoras do batismo e da reconciliação, mas especialmente das águas purificadoras que simbolizam a ajuda, material ou  espiritual, que podemos oferecer àqueles mais necessitados.

Se nós realmente abrirmos nossas mentes e corações para a mensagem do Período da Quaresma – um apelo para renovação advindo de nossa vida de oração litúrgica – nossa participação na vida sacramental da Igreja e nossa resposta ao convite de santidade pessoal irão amadurecer. Então, nas palavras da Oração Penitencial de Santo Efrém, o Sírio, “…que eu possa enxergar meus próprios pecados e não julgar meus irmãos”;  haverá ordem em nosso relacionamento com os outros – os que nos amam e os que nos odeiam.

Tendo partilhado desta Meditação de Quaresma convosco, nossos amados filhos espirituais, a exemplo de São Paulo, o apóstolo, admoestamo-vos a que se comportem de maneira condizente, fiéis ao chamado a serem autênticos cristãos ortodoxos. Asseguramo-vos as nossas preces e rogamos por vossas fervorosas orações para que possamos sempre desempenhar nosso ministério para a maior Glória de Deus e a salvação das almas. Recomendando-vos à Graça de nosso Senhor Jesus Cristo, ao amor de Deus Pai e à comunhão com o Espírito Santo, permanecemos

Vossos servos na oração e no amor,

†Constantino – Metropolita, Igreja Ortodoxa Ucraniana dos Estados Unidos da América e Diáspora

†John – Arcebispo, Igreja Ortodoxa Ucraniana do Canadá

†Antonio – Arcebispo, Igreja Ortodoxa Ucraniana dos Estados Unidos da América

†Vsevolod – Arcebispo, Igreja Ortodoxa Ucraniana dos Estados Unidos da América

†Ioan – Arcebispo, Igreja Ortodoxa Ucraniana na Diáspora

†Yurij – Arcebispo, Igreja Ortodoxa Ucraniana do Canadá

†Jeremiah – Bispo, Eparquia Ortodoxa Ucraniana da América do Sul

 
 

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