O objetivo do encontro realizado neste 31 de agosto foi fortalecer os laços inter-ortodoxos e as relações entre os dois Patriarcados.

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano — O Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, recebeu na manhã desta sexta-feira em sua residência, e após na Igreja de São Jorge, o Patriarca de Moscou e toda a Rússia, Cirilo.

Segundo a mídia russa, as conversações centraram-se na questão envolvendo uma possível separação entre a Igreja da Ucrânia e a Igreja Russa. Ambos os Patriarcas enfatizaram no início do encontro a importância da unidade na Igreja Ortodoxa. “Acreditamos no poder do diálogo”, disse Cirilo, segundo a Agência de notícias russa Interfax.

Entre Bartolomeu I e Cirilo, houve no passado momentos de tensão. Em novembro de 2016, por exemplo, a Igreja Ortodoxa Russa – de longe a maior igreja nacional ortodoxa – decidiu na última hora não participar do Santo e Grande Concílio Pan-ortodoxo na Ilha de Creta, numa tentativa de evitar uma divisão, declarou na época Cirilo.

Patriarca Kirill com Bartolomeu I no Fanar em 31 de agosto

O encontro anterior entre o patriarca Kirill e o patriarca Bartolomeu realizou-se na celebração dos Primazes das Igrejas Autocéfalos em janeiro de 2016 em Chambesy. Antes disto, os dois patriarcas haviam se encontrado em março de 2014 na concelebração dos Primazes de Igrejas autocéfalos em Istambul; em outubro de 2013 em Podgorica (Montenegro); durante a visita do patriarca Bartolomeu à Rússia em maio 2010, e durante a visita oficial do patriarca Kirill à Igreja Ortodoxa de Constantinopla em julho de 2009.

A questão ucraniana

Em abril deste ano, o presidente ucraniano Petro Poroshenko e o Parlamento em Kiev apelaram ao Patriarca Ecumênico de Constantinopla para que declarasse a Igreja Ortodoxa do país como autocéfala. Enquanto Bartolomeu mostrou-se aberto, Cirilo rejeitava peremptoriamente a independência da Igreja ucraniana. Os líderes de várias Igrejas regionais ortodoxas uniram-se à posição de Moscou.

Durante a Declaração de Independência da Ucrânia em 1991, houve uma divisão na Igreja Ortodoxa. Desde então, a Igreja Ortodoxa Ucraniana – sob o Patriarcado de Moscou – e o Patriarcado de Kiev, fundado em 1992, disputam a hegemonia na Ucrânia.

Cerca de 70% dos ucranianos professam o cristianismo ortodoxo. Até agora, o Patriarcado Ecumênico e mais de uma dúzia de Igrejas nacionais ortodoxas reconhecem oficialmente apenas a Igreja Ortodoxa Russa, que tem a maioria das paróquias na Ucrânia.

A Igreja Ortodoxa

A Igreja Ortodoxa é formada pela comunhão plena de catorze jurisdições eclesiásticas autocéfalas (mais a Igreja Ortodoxa na América, apenas parcialmente reconhecida) que professam a mesma fé e, com algumas variantes culturais, praticam basicamente os mesmos ritos. O chefe espiritual das Igrejas Ortodoxas é o Patriarca de Constantinopla, embora este seja um título mais honorífico, uma vez que os patriarcas de cada uma dessas igrejas são independentes. Desta forma, diz-se que o Patriarca de Constantinopla é o primus inter pares. A maior parte das igrejas ortodoxas usa o rito bizantino.

Para os ortodoxos, o chefe único e líder da Igreja, e sem intermediários, representantes ou legatários, é o próprio Jesus. A autoridade suprema na Igreja Ortodoxa é o Santo Sínodo, que se compõe de todos os patriarcas chefes das igrejas autocéfalas e dos arcebispos primazes das igrejas autônomas, que se reúnem por chamada do Patriarca Ecumênico de Constantinopla.

A autoridade suprema regional em todos os patriarcados autocéfalos e igrejas ortodoxas autônomas é da competência do Santo Sínodo local. Uma igreja autocéfala possui o direito a resolver todos os seus problemas internos com base na sua própria autoridade, tendo também o direito de remover qualquer dos seus bispos, incluindo o próprio patriarca, arcebispo ou metropolita que presida esta Igreja.


Fonte: Vatican NEWS Fotos: DREE 

 
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