Antonia Chelpon, uma das missionárias da OCMC que visitou o Brasil em Outubro de 2004

Antonia Chelpon, uma das missionárias da OCMC que visitou o Brasil em Outubro de 2004

 

Antonia Chelpon, uma das missionárias da OCMC que visitou o Brasil em Outubro de 2004 a convite do então bispo Dom Jeremias Ferens, escreve-nos sobre suas impressões nas 3 semanas que passou no Sul do Brasil 

 Traduzido do inglês por: Natalia Waszczynskyi

Quando retornei de minha missão no Alaska, em 2002,  pensei que minha experiência lá havia sido uma  única oportunidade em toda minha vida.  Eu estava errada.  Sinto-me verdadeiramente abençoada por ter podido ficar três semanas com nossos irmãos e irmãs ortodoxos no Brasil.  É uma grande alegria para mim compartilhar esta experiência brasileira com vocês.

Alaska e Brasil são tão diferentes na cultura, clima, língua e costumes, mas partilham de muitas  necessidades similares.  Estas necessidades incluem  pouquíssimos padres para atender  a todos os fiéis, um grande desejo pela educação nos assuntos relativos a nossa fé ortodoxa  e uma grande distância entre as paróquias.  Poucos padres estão fazendo o trabalho de muitos, o que os mantém constantemente  viajando.

Nossa equipe foi convidada para o Brasil por Dom Jeremias, Bispo da Igreja Ortodoxa Ucraniana na América do Sul.  Em 1993 Dom Jeremias foi  sagrado Bispo, o que ocorreu após sua ordenação como padre em 1989.  Ele está atualmente com 42 anos e, como brasileiro, é o primeiro bispo ortodoxo para toda América do Sul,  nascido no Brasil.

Durante as três semanas que ficamos no Brasil, o grupo missionário viajou para Curitiba (PR), residência de Dom Jeremias e Sede  Eparquial da Igreja Ortodoxa Ucraniana na América do Sul; São José e Florianópolis (SC).  Também viajamos para as pequenas comunidades rurais de Gonçalves Junior (PR); Iracema, Papanduva, Jangada do Sul, Vila Zulmira (SC); Apucarana e Nova Ucrânia (PR), visitando igrejas ortodoxas ucranianas em cada um destes lugares.  Falamos aos os residentes do Centro de Reabilitação de Dependentes Químicos Bom Pastor, próximo de São José (SC), e para os detentos  de uma Penitenciária de alta segurança em Ponta Grossa – (PR).   Acompanhamos o Bispo na sua entrega mensal de alimentos  para os necessitados de vilas rurais nas montanhas, tais como na Colônia Guarani (Papanduva – SC).  Fomos convidados a visitar o Padre e a Panimatka  da Igreja Antioquena Ortodoxa na sua paróquia em Curitiba e também o Conselho Diretor e a  Paróquia Grega Ortodoxa , também em Curitiba.

Crianças na Escola Municipal Professora Maria Avelina Furtado no bairro Rondinha, em frente a Paróquia Ortodoxa Ucraniana São Valdomiro, o Grande.

Crianças na Escola Municipal Professora Maria Avelina Furtado no bairro Rondinha, em frente a Paróquia Ortodoxa Ucraniana São Valdomiro, o Grande em PAPANDUVA – SC

No Brasil,  a Igreja Ortodoxa está num estágio de transição, evoluindo  de uma Igreja étnica para alcançar  todos os brasileiros.  A Ortodoxia foi trazida para o Brasil pelos Gregos, Ucranianos, Antioquenos no início de 1900.  Como  as primeiras gerações já se foram  e a língua étnica e os costumes estão morrendo, a Igreja estava em grande perigo de desaparecer.  Isto aconteceu na cidade natal do Bispo em Papanduva. Lá a Igreja  foi construída em 1930.  O padre morreu em 1945, e seguiram-se 18 anos sem padre.  Os fiéis interpretaram isto como sendo o fim da Ortodoxia e abandonaram a igreja  abraçando outras religiões.  No ano de 1980 o Bispo foi para os EUA para estudar no seminário.  Ele voltou em 1989 e encontrou sua igreja destruída e sua madeira  vendida como lenha.  Desde aquele tempo, a Eparquia comprou novas terras, nos últimos cinco anos construiu um salão paroquial que tem multiuso, e já conseguiu 50%  da madeira necessária para a construção da nova Igreja.  Tudo isto indica um novo crescimento da Ortodoxia.  Atualmente a Divina Liturgia e muitas outros Ofícios litúrgicos traduzidos para o português,  estão sendo utilizados cada vez mais e  enriquecendo de forma significativa  as celebrações.  Traduções de orações e outros ensinamentos continuam sendo feitos.  A música sacra está sendo escrita levando-se em consideração a melodia que mais se adapta aos Brasileiros.

Na chegada em cada cidade fomos cumprimentados calorosamente, e nos disseram que a casa deles era a nossa casa, e eles estavam sendo sinceros.  Uma vez lá, ensinamos catequese ortodoxa, o que incluiu a transmissão da nossa fé através de atividades artísticas e dinâmicas específicas.  Houve ainda seções de perguntas e respostas.  Um membro de nossa equipe recebeu doações para serem usadas em livros.  Com estes fundos ela ajudou o Bispo Dom Jeremias a preparar 6 livretos a respeito de variados temas ligados à  Ortodoxia.  Tais livretos foram distribuídos pelo nosso grupo em todas as comunidades visitadas.  Também fomos a diversas famílias  visitar  pessoas que não podem mais ir à Igreja, levando a Igreja até eles.

Após termos feito amizades em cada cidade, foi muito difícil partir. Com lágrimas em nossos  olhos, dissemos adeus e partimos.  É importante testemunhar nossa fé.  Também é importante para nossos irmãos e irmãs brasileiros ortodoxos saber que a igreja deles não é uma pequena igreja lutando para existir, mas uma gota no amplo oceano da Ortodoxia mundial. Como foi vigoroso quando nós, como membros de uma equipe, falamos de nossos relacionamentos com outros fiéis ortodoxos na África, Alaska, Grécia, Israel, Rússia e Estados Unidos.  Através da Ortodoxia, permaneceremos sempre unidos!

Obrigado pelo seu apoio ao tornar esta viagem possível para mim.  Obrigado por suas orações enquanto estivemos viajando.  Peço por favor para continuar rezando pelo Bispo Dom Jeremias e todos os fiéis do Brasil.

Com amor em Cristo,
Antonia Chelpon

Acessar o Álbum de Fotos OCMC no Brasil

 
 

0 comentários

Seja o primeiro a deixar um comentário.

Postar um comentário


 
 
 

Pesquisar

Arquivos