A diocese de Huși anunciou o adormecimento no Senhor do arquimandrita Mina Dobzeu. Ancião Mina foi um fiel confessor da fé sob o regime comunista e o padre que batizou o famoso escritor judeu romeno Nicolae Steinhardt, convertido ao cristianismo na prisão e que mais tarde se tornou monge. Padre Mina adormeceu na última quinta-feira, 7 de junho às 14h15 em sua cela no Monastério dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, em Huşi, informa o site da diocese.

Pe. Mina Dobzeu nasceu em 5 de novembro de 1921 na aldeia de Grozești, no condado de Lăpușna, na Bessarábia, no Reino da Romênia (atual República da Moldávia). Tornou-se noviço no Monastério de Hâncu aos 13 anos; em 1948, foi tonsurado monge na Skete Brădiceşti e ordenado ao diaconado no final daquele mesmo ano. Em 1955 ele foi ordenado hieromonge. Em 1948-1949, foi preso por onze meses por protestar contra a retirada da educação religiosa das escolas públicas. Em 1959 foi demitido da Faculdade de Teologia Ortodoxa de Bucareste, banido  de seu Monastério e condenado à prisão por sua atitude contrária ao Decreto 410/1959 relativo à supressão dos Monastérios e redução da população monástica. Foi preso em Galaţi, Jilava, Gherla e na colônia Delta do Danúbio. Na prisão Jilava, em 15 de março de 1960, Padre Mina Dobzeu batizou na Igreja Ortodoxa o célebre erudito Nicolae Steinhardt, que mais tarde se tornaria o monge Nicolae (Delarohia ou Rohia), autor do famoso “Diário da Felicidade”.  Nas prisões comunistas, Padre Mina continuou a pregar a fé ortodoxa sem se preocupar com os riscos, ensinando suas orações aos colegas de cela. Isso muitas vezes lhe causou duras conseqüências: — “Eu não estava com medo. Eu não desisti!” (Pe. Mina Dobzeu).

Fui punido e preso em uma prisão chamada Black Cell. Eu fiquei lá por uma semana, em isolamento. Não havia cadeira, havia muita umidade, água no chão, o chão era de cimento, e é por isso que ficava acordado e de pé o dia todo. Eles me davam comida uma vez por dia às nove horas da noite, após o que me traziam uma cama e às cinco da manhã eles a retiravam.

Ele deixou a prisão em 1964. Em 1969 ele foi chamado para servir a Igreja no Monastério dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, em Huşi, onde foi abade entre 1978 e 1988. Em 1988, foi novamente detido por 8 meses por “rebelião e conspiração contra a segurança do Estado”, nomeadamente, por ter enviado sete cartas para Nicolae Ceausescu sobre sobre a moralidade do povo romeno e o ateísmo trazidos pelo comunismo.  Após o restabelecimento da diocese de Husi em 1996, foi nomeado consultor cultural e missionário. Em 2017, o Metropolita Teófanes da Moldávia e Bucovina premiou o Padre Mina com a Cruz da Moldávia, a mais alta distinção da metrópole da Moldávia e Bucovina.


Fonte: com informações do Arquivo Basilica.ro e Orthodoxie.com

 

 
 

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