Esta crise é uma oportunidade para construir pontes, para praticar a solidariedade, instaurar confiança, encorajar a cooperação. Precisamos de uma visão e mobilização comum, de iniciativas e ações comuns. Precisamos de homens e mulheres de paz.

Foi o que disse o Patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, incentivando as instituições a fazerem mais, sobretudo em relação aos refugiados. Participando esta quinta-feira (08/06) em Atenas, na Grécia, do encontro de cúpula europeu dedicado ao tema “A migração desafia a identidade europeia”, o Patriarca recordou a importância do papel das Igrejas, oferecendo renovada colaboração. “Jovens, ONG’s, religiões, movimentos humanitários, todos devem trabalhar juntos, cada um com sua específica responsabilidade, pela proteção das pessoas vulneráveis, para promover a esperança”, exortou.

A crise migratória é um problema da humanidade

A crise migratória não é um problema somente da Europa, mas de toda a humanidade:

As questões sociais atingem os corpos e as almas dos seres humanos, sua liberdade e dignidade, a sacralidade da pessoa. Nesse sentido, o combate à violência é inseparável de nossos esforços pela tutela dos refugiados e de nosso compromisso contra o racismo, a opressão, a exploração e a exclusão”.

O Arcebispo de Constantinopla exortou a transformar a “ameaça do outro” na oportunidade de promover uma cultura da solidariedade e da inclusão:

Os estados e os governos deveriam ver as religiões como um aliado, porque desenvolvem um papel fundamental na vida do indivíduo e representam uma grande força social.

Elas podem contribuir fortemente para a solução da crise relacionada às migrações, promovendo a convivência pacífica, reforçando o espírito de solidariedade contra a divisão e a polarização, apoiando todas as iniciativas no campo político a serviço da dignidade humana, da liberdade e da justiça.

Mas também as religiões devem fazer mais: temos o “dever de promover o diálogo inter-religioso. A comunicação e a abertura libertam as religiões da introversão, e a confiança recíproca é uma força que favorece à paz universal”. Deve-se, portanto, deixar de lado os antagonismos que enfraquecem a capacidade das religiões de contribuir para a cultura da solidariedade, “condição sem a qual não se pode resolver o problema da migração. Somente se as religiões exercerem forças de justiça poderão ser um precioso aliado para instituições seculares e movimentos humanitários na sagrada tarefa de proteger a dignidade humana”, ressaltou Bartolomeu I.

Emergência migratória interpela a identidade europeia

A emergência causada pela onda migratória desafia profundamente a identidade europeia. Mas, observa o patriarca, “é inaceitável que alguns, ao mesmo tempo em que louvam os direitos humanos e querem mostrar-se defensores de uma Europa cristã, usem palavras duras contra os migrantes e refugiados e peçam o fechamento das fronteiras”.  Ponderou o patriarca ecumênico de Constantinopla:

É igualmente difícil pensar enfrentar esta crise baseado numa Europa tecnológica, burocrática e econômica. As pessoas não são simples objetos e números. É uma ilusão supor que nossas sociedades modernas possam permanecer abertas, democráticas, pacíficas e humanas mediante apenas o progresso econômico e as medidas de segurança sem utilizar também os instrumentos do acolhimento, da inclusão e da justiça social”

Em suma:

Não podemos separar nossa preocupação com a dignidade e os direitos humanos do cuidado com a paz e a sustentabilidade. Eles estão estreitamente ligados. Se avaliamos todo indivíduo feito à imagem de Deus e toda partícula da criação de Deus, então devemos também preocupar-nos com o outro, com o nosso mundo, problema ecológico incluso porque sempre ligado à questão social da pobreza.

A hospitalidade ao estrangeiro é o coração da missão

A hospitalidade ao estrangeiro está no centro da vida e da missão pastoral da Igreja. disse Bartolomeu:

Na parábola do bom samaritano testemunhamos o amor e a compaixão incondicionados . Vemos como devemos tornar-nos um ‘próximo’ para todos aqueles que precisam de nosso apoio, independentemente de sua filiação social, religiosa, cultural ou política. Portanto, deveria ser impossível tapar nossos ouvidos ao grito dos refugiados, das pessoas vulneráveis, exploradas”,

Assim concluiu o patriarca ecumênico recordando o encontro na ilha grega de Lesbos, em 16 de abril de 2016, com o Papa Francisco e o Arcebispo Ieronymos (da Grécia), e a assinatura da Declaração Conjunta no campo de refugiados de Moria.


(L’Osservatore Romano)
Fonte: RV

 

 
 

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