Sua Santidade Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico, com o Dr. Olav Fykse Tveit. © Albin Hillert/WCC

24/04/2017 — S. Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico, fez um pronunciamento no Centro Ecumênico, em Genebra, em 24 de abril de 2017, no contexto de sua visita oficial à Suíça por ocasião do 25º ou aniversário de sua entronização como Patriarca Ecumênico e o 50º aniversário do Centro Ortodoxo do Patriarcado Ecumênico em Chambesy.

Em seu longo discurso, o Patriarca falou aos presentes sobre as razões e realizações do Santo e Grande Concílio, reunido em Creta em junho de 2016, o papel da ciência e da tecnologia na sociedade contemporânea, o imperativo teológico de enfrentar o problema das mudanças climáticas, a difícil situação e as perspectivas das crianças de nosso tempo, a importância do combate ao tráfico de seres humanos e de formas modernas de escravidão, e a necessidade de que todos os cristãos tratem estas questões de forma prática.

Enfrentando juntos todas estas questões, «temos de trabalhar unidos contra esse espírito e na promoção de uma cultura da solidariedade, do respeito pelos outros e do diálogo. Além de sensibilizar as consciências, devemos participar em iniciativas e ações concretas. Precisamos de uma maior mobilização em nível prático», disse o Patriarca.

Depois de lembrar que o Patriarcado Ecumênico foi decisivo, há cerca de cem anos, no início do movimento ecumênico e sua busca da unidade, Bartolomeu citou os feitos da Igreja e seu próprio compromisso com o CMI. Desde 1995, o Patriarca tem tido representação permanente no CMI, em Genebra, atualmente exercida pelo arcebispo Job de Telmessos.

Um elemento básico no espectro das preocupações de Bartolomeu, disse o Patriarca, é o firme e permanente compromisso das Igrejas Ortodoxas com o ecumenismo.

«Nós, ortodoxos, acreditamos firmemente que o objetivo e a razão de ser do movimento ecumênico e do Conselho Mundial de Igrejas é tornar realidade a oração do Senhor para ‘que todos sejam um’ (Jo 17, 21), bordada nesta bela tapeçaria que decora a parede desta sala. Por este motivo, o Santo e Grande Concílio reforçou que ‘a participação ortodoxa no movimento para a restauração da unidade com os outros cristãos na Igreja una, santa, católica e apostólica, não se opõe, em absoluto, à natureza e história da Igreja Ortodoxa, mas que é a expressão consequente da fé e tradição apostólica sob novas circunstâncias históricas’».

Bartolomeu, que comemora seus 25 anos como Patriarca Ecumênico e Arcebispo de Constantinopla, foi recebido no centro pelo Rev. Dr. Olav Fykse Tveit, secretário geral do CMI.

Tveit se referiu a Bartolomeu como «um dos líderes de Igreja mais respeitados na atualidade, em sua qualidade de líder das igrejas ortodoxas bizantinas no mundo» e enfatizou, de modo especial, a voz moral e o firme testemunho profético do Patriarca no cenário internacional, bem como, para os simples cristãos, como ele, em todos os lugares.

«Inspirou-me a clareza com que o Patriarca apresentou as dimensões mais básicas e proféticas da nossa fé, mesmo diante das mais distintas audiências, encorajando-as a adotar uma postura moral em nossos cuidados com a humanidade, os direitos humanos, a justiça e a paz, assim como – e de modo particular – por toda a criação de Deus neste planeta terra em que vivemos», disse Tveit.

Segundo Tveit, o discurso do Patriarca inspirou uma reflexão renovada acerca da busca permanente e do caráter instável da unidade cristã – em especial, em seu trabalho pelo mundo. — Por que, o que fazemos nesta casa e nessas organizações, inspirados pelo chamamento às igrejas a ser una, tem um valor a mais para a família humana? Perguntou.

Tveit sublinhou de modo muito enfático o pedido do Patriarca por solidariedade Ecumênica.

«Esta maneira de ser mutuamente responsáveis em nosso compromisso com o diálogo pode nos levar à libertação e nos ajudar a encontrar novas maneiras sustentáveis de avançar. O diálogo ecumênico pode servir ao mundo como caminho para ambos: a cruz e a ressurreição. Nossa fé comum em Jesus Cristo é, essencialmente, esperança».

Tendo em conta as observações do Patriarca sobre «o direito inviolável e inalienável» à água e a sua notável liderança na área da justiça climática, Phiri destacou o trabalho do CMI nesta área e sua designação em 2016 como membro da Comunidade Azul por seus esforços para garantir água potável e saneamento como um direito humano. Em 2015, recordou, o CMI fez um apelo urgente às pessoas e comunidades para que rejeitassem garrafas de água como um passo significativo para a justiça da água, pedindo para que as igrejas liderassem esta luta contra as garrafas de água.

Referindo-se à peregrinação de Justiça e Paz do CMI, Bartolomeu reiterou o seu convite a todas as igrejas-membros para «caminhar juntas em prol de uma busca comum, renovando a vocação da Igreja através da colaboração e participação nas questões mais importantes em matéria de justiça e paz, para a cura de um mundo cheio de conflitos, injustiça e dor».


 
 

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