Palmira, Síria | © 2016 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A

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O Patriarca ecumênico Bartolomeu I considera que é fundamental mobilizar as forças na luta pela proteção do ambiente na sua mais ampla acepção, ou seja, como «conjunção harmônica do ambiente natural e cultural do gênero humano». A posição de Bartolomeu I é assumida na sua mensagem para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que se celebra anualmente no primeiro dia de setembro, data que para a Igreja Ortodoxa marca também o início do novo ano eclesiástico.

O Patriarca reúne no texto ambiente e cultura, sublinhando que «estão unidos, de igual valor, intermutáveis. O mundo que abraça a humanidade foi criado por uma só palavra imperativa: ‘E seja’. A cultura foi criada pelo homem munido de uma mente racional, de modo que o respeito por ela é óbvio e necessário».

O prelado sublinha que é requerida «uma vigilância contínua, formação e ensino, de modo que seja clara a relação da atual crise ecológica com as paixões humanas da avareza, da ganância, do egoísmo, de voracidade predatória», que resultaram na perigosa situação ambiental contemporânea.

Bartolomeu apela ao «regresso à beleza antiga da ordem e da economia, da moderação e da ascese, que possam conduzir à sábia gestão do ambiente natural. De modo particular, a ganância com a satisfação das necessidades materiais conduz com certeza à pobreza espiritual do homem, a qual comporta a destruição do ambiente natural».

A segunda parte da mensagem é dedicada aos monumentos atingidos pela guerra, citando os «maravilhosos sítios arqueológicos na Síria e em todo o mundo», como o «famoso da antiga Palmira, que consta a nível mundial entre os principais monumentos de herança cultural».

A destruição dessas edificações evidencia «a crise da cultura que, durante os últimos anos, é mundial», acentua o arcebispo, que salienta a necessidade «da proteção do ambiente natural, assim como da herança cultural mundial, que se encontra em perigo por causa das alterações climáticas, dos conflitos bélicos e de outros motivos».

«Os tesouros culturais, que como monumentos religiosos e espirituais, mas também como expressão bimilenária da mente humana pertencem a toda a humanidade, e não exclusivamente aos países no interior de cujas fronteiras se encontram, correm graves perigos», assinala.

A ruína e a destruição de um monumento cultural de uma nação «fere a herança universal da humanidade», pelo que é «dever e tarefa» de cada pessoa «reforçar as medidas de proteção e de conservação ininterrupta» desses espaços.

O documento realça que a «maior responsabilidade» consiste em realizar todo o esforço possível «para transmitir às futuras gerações um ambiente natural habitável e o seu uso conforme à vontade divina», dado que «não só as gerações atuais, mas também as futuras têm o direito de usufruir dos bens naturais» oferecidos por Deus.


In “L’Osservatore Romano”, 1.9.2016
Trad. / Edição: Rui Jorge Martins
Fonte: Pastoral da Cultura

 

 
 

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